Incluir agentes de IA na saúde é humanizar o cuidado

Por Isadora Kimura

Uma das principais dores do setor de saúde é que muitos pacientes não se sentem realmente ouvidos. Mesmo em consultas com profissionais competentes, a pressa ou o foco em condições específicas acaba deixando de lado questões pessoais, aspectos emocionais ou o contexto familiar. Saúde não é apenas ausência de doença: é um conjunto de fatores físicos, psicológicos e sociais que impactam a vida do paciente.

O grande desafio é oferecer uma escuta ativa e individualizada de forma sustentável. Imagine uma mãe que precisa marcar consultas para o filho com condição crônica, organizar exames, buscar autorizações, acompanhar retornos e, ainda, tirar dúvidas no meio do caminho. Até pouco tempo, parecia inviável dar profundidade a jornadas como essa sem sobrecarregar as equipes de saúde ou elevar custos. Hoje, entretanto, já observamos exemplos concretos de transformação: hospitais que adotam agentes de IA conseguem agilizar significativamente o agendamento de exames e outros procedimentos, enquanto operadoras registram maior adesão a programas de prevenção e acompanhamento.

São ganhos práticos e mensuráveis que mostram como a tecnologia está remodelando a rotina do setor. Os agentes de IA ampliam a capacidade dos profissionais, assumindo tarefas repetitivas e administrativas, liberando tempo para que médicos e enfermeiros foquem no que nenhuma máquina pode replicar: julgamento clínico, empatia e presença humana.

Esses agentes já estão sendo aplicados em atividades críticas da jornada de cuidado, como triagens, agendamento de consultas e exames, apoio a programas de prevenção, coleta de feedbacks (CSAT, NPS, PREMs), lembretes de adesão a tratamentos e acompanhamento de linhas de cuidado complexas, como no pré e pós-cirúrgico. Ao atuarem como extensões digitais das equipes, ampliam a capacidade de atendimento e oferecem suporte contínuo, 24/7, sem perder a personalização.

Segundo dados recentes do Cetic.br, no âmbito da pesquisa TIC Saúde, a adoção de IA já é realidade em hospitais com mais de 50 leitos, onde 16% das instituições relataram o uso dessas soluções. Entre as aplicações mais comuns, destacam-se a automação de fluxos de trabalho (67%), o uso de ferramentas de IA generativa (63%) e a mineração de textos e análise de linguagem (49%). Esses números confirmam que a IA não é mais apenas uma tendência: é uma realidade crescente que está redesenhando a forma como operamos em saúde.

A chave está em usar a tecnologia como aliada da humanização. Ao transformar dados dispersos em informações úteis, os agentes de IA apoiam decisões clínicas, aumentam a capacidade operacional e garantem que cada paciente seja tratado de forma única. Essa mudança impacta não apenas os profissionais, que trabalham de modo mais organizado e com menos sobrecarga, mas os próprios pacientes, que passam a vivenciar uma jornada mais fluida, com orientações consistentes e uma rede de apoio sempre acessível.

Estamos diante de uma evolução estrutural. Hospitais e operadoras que já implementaram agentes de IA colhem benefícios claros: mais eficiência, maior engajamento dos pacientes e resultados assistenciais mais consistentes. Quem ainda não começou está ficando rapidamente para trás. 

É imprescindível que o Brasil abrace essa oportunidade de transformação digital para não perder o protagonismo já conquistado na saúde global, mostrando ao mundo que inovação e humanização podem caminhar juntas. Afinal, o futuro da saúde não será apenas mais digital: será mais humano justamente porque será mais inteligente.

(*) Isadora Kimura é cofundadora e CEO da Nilo, healthtech que auxilia empresas do setor de saúde a estabelecerem um relacionamento digital com seus pacientes.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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