Homenageados bombeiros paranaenses que participaram de missão na Venezuela

Grupo formado por 10 militares e que contou com dois cães de busca, participou de 90 intervenções em campo e resgate de 23 corpos.

Os bombeiros militares paranaenses que integraram a missão humanitária brasileira na Venezuela foram homenageados nesta segunda-feira (13), em cerimônia oficial realizada no Palácio Iguaçu pelo governador Ratinho Junior, que reconheceu o trabalho dos militares e dos cães de busca Meghan e Ayra, que estiveram na linha de frente das operações de resgate realizadas nas áreas atingidas por dois terremotos em 24 de junho.

“É motivo de muito orgulho ver esses profissionais que, de forma voluntária, levantaram a mão para poder ir até a Venezuela salvar vidas. O Paraná hoje faz parte de uma elite de bombeiros do mundo”, afirmou Ratinho Junior, se referindo ao fato de o Estado integrar a força-tarefa brasileira de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas, a BRA-01, em processo de certificação internacional junto ao INSARAG (Grupo Consultivo Internacional de Busca e Resgate Urbano), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).

O grupo é formado por bombeiros paranaenses, mineiros e paulistas. “Fomos selecionados pela boa formação dos nossos bombeiros, pelos equipamentos que temos e, obviamente, pelo histórico, pela qualificação de treinamentos rígidos que são implantados aqui”, complementou o governador.

A qualificação dos bombeiros militares também foi exaltada pelo secretário da Segurança Pública, Saulo de Tarso Sanson Silva. “A resposta do nosso Corpo de Bombeiros foi muito rápida. Em desastres, as primeiras 72 horas são muito importantes. E fomos a primeira delegação do Brasil a atuar em território venezuelano. Isso demonstra que a nossa equipe está capacitada e treinada. Fizemos lá um trabalho de excelência”, comentou. “Demonstramos que pertencemos à elite mundial de bombeiros”, reforçou.

O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, destacou que a homenagem é um reconhecimento à Corporação e aos militares que foram a campo. “Comprova que todo o esforço realizado na preparação desses profissionais vale a pena. É um trabalho que há muitos anos vem sendo realizado por meio da nossa Força-tarefa de Resposta a Desastres (FTRD), com a compra de equipamentos, capacitações anuais, renovação e qualificação do efetivo”, declarou.

Para o comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, que esteve à frente da força-tarefa na Venezuela, o desafio foi grande. “A gente teve durante o evento lá várias réplicas de terremoto [tremores secundários], e eu acho que na minha carreira eu nunca me preocupei tanto de alguém morrer em serviço como agora”, revelou. 

“O incêndio é perigoso, a água é perigosa, mas terremoto é uma situação que você não tem muito controle. Ficamos bastante preocupados com a equipe, então é muito bom estarmos todos bem. E sermos brindados com essa homenagem é  gratificante”, acrescentou.

A equipe paranaense, mobilizada no dia seguinte à tragédia, envolveu dez bombeiros, dois cães e cerca de quatro toneladas de equipamentos especializados. Foram os primeiros enviados brasileiros a iniciar os trabalhos de campo na Venezuela, na manhã de 27 de junho.

O cenário encontrado foi de destruição, com prédios de até 15 pavimentos colapsados e a ocorrência de tremores secundários que ameaçavam ocasionar mais danos às estruturas. Esse quadro exigiu a necessidade de escoramentos rigorosos e alta técnica para proteção das próprias equipes. Os cães foram mobilizados para apontar com rapidez os pontos de maior probabilidade de vítimas presas em estruturas, otimizando o trabalho das equipes de corte e penetração.

A atividade apresentou ainda outros obstáculos, como as altas temperaturas, que forçaram um rodízio severo de equipes. O bloqueio de vias por escombros, a falta de energia elétrica e a restrição extrema no abastecimento de combustível agravaram o desafio logístico e operacional.

Durante a missão, os bombeiros atuaram em diferentes localidades da região de Vargas, entre elas La Guaira, Caraballeda, Catia La Mar, Playa Grande, Nagaita e El Tigrillo. As ações incluíram reconhecimento de áreas atingidas, avaliação de estabilidade de estruturas, busca técnica, emprego dos cães de busca, marcação de estruturas e recuperação de vítimas em áreas de colapso.

Ao todo, durante aproximadamente duas semanas, foram realizadas 90 intervenções em campo e 23 vítimas em óbito foram recuperadas.

Um dos bombeiros paranaenses era o cabo Rodrigo Oliveira Santos, condutor da cadela Meghan, que ressaltou o cenário desolador vivenciado. “É uma ocorrência que não existe como reproduzir, você querer treinar para isso. A quantidade de edifícios que caiu, as vítimas, gente presa já sem vida e nós tendo que ignorar aquilo para procurar pessoas com vida”, contou.

Já o soldado Bruno Daniel da Silva Zacharias, condutor da cadela Arya, fez sua primeira grande missão. Também ficou chocado com o que viu. “Foi bem impactante, vou lembrar o resto da vida. Muito triste pela situação do país, a devastação”, contou.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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