Sucessão no Paraná: pesquisas, articulações, o chapão fantasma e o jogo político
A disputa pelo Governo do Paraná deixou de ser um exercício de projeção para se transformar em uma batalha política em tempo real. As pesquisas mais recentes, as movimentações do Palácio Iguaçu e as articulações de bastidores mostram que a sucessão de Ratinho Junior está longe de ser um roteiro definido.
O primeiro sinal dessa mudança está nas pesquisas.
O deputado federal Sandro Alex, nome escolhido pelo governador para disputar o Palácio Iguaçu, apareceu com 5% na pesquisa Vox Brasil, realizada em 3 de julho. Na semana seguinte, o Paraná Pesquisas registrou 10,7% para o mesmo candidato. A diferença é significativa e vai além do debate sobre margem de erro.
A pergunta que circula pelos corredores do terceiro andar do Palácio Iguaçu é inevitável: por que dois levantamentos realizados em um intervalo tão curto apresentam resultados tão distintos? A resposta passa pela metodologia, pelo perfil da amostra, pelos contratantes e pelos diferentes modelos de pesquisa. Mas há uma conclusão comum: Sandro Alex ainda é uma candidatura em construção.
É justamente por isso que Ratinho Junior decidiu entrar em campo.
Nos próximos dias, o governador intensificará sua presença no interior, na capital e na Região Metropolitana de Curitiba, apresentando pessoalmente o candidato ao eleitorado. A estratégia é clara: transferir parte de seu capital político para alguém que, apesar da experiência administrativa e parlamentar, ainda não alcançou o nível de conhecimento necessário para liderar uma disputa estadual.
Ratinho Junior não demonstra qualquer sinal de recuo. Ao contrário, reafirma que Sandro Alex possui experiência na gestão pública e reúne as condições para dar continuidade ao projeto político iniciado em 2019. O desafio, porém, não é convencer apenas a classe política, mas principalmente o eleitor.
Enquanto o Palácio Iguaçu trabalha para consolidar seu candidato, outro movimento ganha força nos bastidores.
O fantasma do chapão
As pesquisas que colocam Rafael Greca à frente de Sandro Alex em alguns cenários, somadas à resolução do PSD proibindo o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, de apoiar o ex-prefeito da capital, alimentaram as especulações sobre uma possível composição entre Greca e Alexandre Curi.
A hipótese deixou de ser apenas conversa de corredor e passou a frequentar as rodas de discussão da política paranaense.
Existe, de fato, um chapão em gestação? Ou trata-se apenas de uma estratégia para aumentar o poder de negociação de diferentes grupos?
Publicamente, Ratinho Junior encerra o assunto com poucas palavras: o candidato é Sandro Alex. Ponto final. Nos bastidores, entretanto, a política raramente trabalha com pontos finais. Ela prefere as reticências.
A Federação como fiel da balança
Outro elemento que ajuda a explicar o momento político é a posição da Federação partidária.
Diferentemente do PSD, que decidiu fechar questão e ameaçar punições por infidelidade partidária aos filiados que apoiarem outro projeto, a Federação adotou uma estratégia oposta: deixou todas as portas abertas.
Não é um detalhe.
Com representação parlamentar expressiva e dezenas de prefeitos espalhados pelo Estado, a Federação tornou-se um dos ativos mais disputados da eleição. Seu apoio poderá fortalecer Sandro Alex, integrar um eventual projeto liderado por Rafael Greca, participar de outra composição ou até abrir espaço para negociações com Sergio Moro.
Essa liberdade de movimentos transforma a Federação em uma das principais moedas de troca da sucessão estadual.
O eleitor ainda não decidiu
Talvez o aspecto mais importante desse momento seja justamente a ausência de definições.
Os partidos negociam, os líderes testam cenários, as pesquisas medem potencial e os bastidores produzem versões diariamente. Mas o eleitor paranaense, na prática, ainda não escolheu seu candidato.
A eleição continua aberta.
É exatamente por isso que Ratinho Junior acelerou sua estratégia de exposição de Sandro Alex. E é também por isso que adversários mantêm alternativas sobre a mesa.
Na política, quando as alianças ainda estão sendo desenhadas e o eleitor permanece em observação, a disputa não é apenas por votos. É pela construção da narrativa que chegará primeiro à opinião pública.





