Curitiba, uma cidade em obras

Programa reúne mais de R$ 6 bilhões em investimentos e aposta em inovação, sustentabilidade e ampliação da pavimentação nos bairros

Moradores de Curitiba e da Região Metropolitana, assim como turistas e passageiros da Linha Turismo, que percorrem os principais cartões-postais e atrações da capital paranaense, têm enfrentado um trânsito mais lento nos últimos meses. No entanto, a recomendação é de compreensão e paciência, já que a cidade vive um amplo programa de obras de infraestrutura.

Sob a administração do prefeito Eduardo Pimentel, Curitiba se transformou em um grande canteiro de obras, com intervenções distribuídas por praticamente todas as regiões do município. O objetivo é modernizar a cidade, ampliar a mobilidade urbana e oferecer melhores condições de deslocamento para motoristas, ciclistas, usuários do transporte coletivo e pedestres.

As frentes de trabalho incluem obras de pavimentação e recuperação da malha viária, melhorias no sistema de transporte, ampliação das redes de saneamento básico e importantes intervenções de drenagem para reduzir os riscos de alagamentos, especialmente na região central da capital.

Essas ações também têm caráter preventivo diante da possibilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño, que poderá provocar chuvas intensas em diversas regiões do Paraná. Com investimentos em infraestrutura e prevenção, a administração municipal busca preparar a cidade para enfrentar eventos climáticos extremos, minimizando impactos à população.

Embora os transtornos temporários no trânsito sejam inevitáveis, a expectativa é de que, ao final das obras, Curitiba disponha de uma infraestrutura mais moderna, segura e eficiente, beneficiando moradores, trabalhadores e visitantes.

Projetando o futuro da cidade

Cem anos após o primeiro trecho de rua receber asfalto, no Centro, Curitiba vive em 2026 um importante ciclo de investimentos na infraestrutura viária. Com uma malha de aproximadamente 5.060 quilômetros de extensão, a cidade combina expansão, requalificação e adoção de novas tecnologias de pavimentação de ruas e avenidas.

O Programa de Revitalização e Obras (PRO Curitiba) reúne um conjunto de intervenções estruturantes voltadas à modernização da cidade. Com investimentos que superam R$ 6 bilhões, o programa contempla obras concluídas, em andamento e novos projetos previstos até 2028.

Entre as prioridades do programa está a requalificação da malha viária, para dar continuidade ao programa Asfalto Novo. Para os próximos anos, a meta é recuperar 500 quilômetros de ruas de antipó, além de reduzir gradualmente os poucos trechos ainda em saibro – cerca de 42 quilômetros. As obras acontecem paralelamente às intervenções estruturantes do programa de Mobilidade Urbana Sustentável de Curitiba.

Infraestrutura viária

“Investir em infraestrutura viária significa melhorar o deslocamento diário de quem usa o transporte coletivo, de quem trabalha, estuda e vive nos bairros, além de fortalecer o desenvolvimento urbano de Curitiba a partir da mobilidade segura e sustentável”, diz o prefeito Eduardo Pimentel.

Em 2025, entre obras concluídas e iniciadas, foram 356 intervenções nos bairros, que representam 205 km de nova pavimentação – equivalente à distância entre Curitiba e Prudentópolis. O ano terminou com 406 ruas beneficiadas.

Eduardo Pimentel
Foto: Divulgação

Para 2026, estão previstos investimentos de R$ 145 milhões em obras para assegurar mais 100 km de nova pavimentação na cidade, sendo 70 km por meio de convênio com o Governo do Estado do Paraná e outros R$ 45 milhões com recursos próprios do município.

As obras, divididas em lotes e distribuídas em diferentes regiões da cidade, estão promovendo uma mudança gradual no perfil viário, integrando infraestrutura, transporte coletivo e novos padrões de mobilidade.

Embora os projetos do programa de mobilidade urbana tenham como foco principal o transporte coletivo, o impacto das obras se estende aos bairros, com melhorias que beneficiam diretamente a população.

Além dos corredores por onde circulam os ônibus, o programa também contempla a requalificação de ruas do entorno, que passam a dar suporte ao novo desenho viário. São vias de ligação, acesso e distribuição de tráfego que recebem intervenções completas, contribuindo para melhorar a fluidez, reorganizar a circulação local e qualificar a infraestrutura dos bairros.

Pavimento mais resistente

A pavimentação em concreto nas canaletas do Novo Inter 2 e do BRT Leste-Oeste foi adotada para aumentar a durabilidade e reduzir a necessidade de intervenções frequentes, além de suportar o peso intenso dos ônibus articulados e ligeirões. Com vida útil superior a 20 anos e baixa necessidade de manutenção, o material contribui também para a melhoria da velocidade operacional do transporte coletivo.

Outro diferencial está na capacidade do pavimento rígido em atender às novas demandas ambientais. Ruas e avenidas em concreto foram planejadas para suportar a entrada de ônibus elétricos na Rede Integrada de Transporte (RIT), reduzindo emissões de poluentes e níveis de ruído, além de contribuir para um sistema mais eficiente e sustentável com menos emissões de CO₂ na atmosfera.

A escolha do concreto também considera fatores como resistência, desempenho em vias de alto tráfego e redução de custos ao longo do ciclo de vida da pavimentação. “Ao diminuir a necessidade de manutenção e evitar o uso recorrente de insumos derivados de combustíveis fósseis, o modelo reforça o compromisso com soluções mais sustentáveis”, explica Jamur.

Além disso, o pavimento rígido apresenta menor absorção de calor em comparação ao asfalto convencional, contribuindo para a redução da temperatura nas vias, com variações que podem chegar a até 3 a 5 graus, e ajudando a mitigar os efeitos das ilhas de calor no ambiente urbano. (Com assessoria da Prefeitura de Curitiba).

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações