Evento da Fiep debate projeto de enterramento de fiação elétrica e de telecomunicações

A implantação de fiação subterrânea tem como objetivo reduzir riscos de acidentes, incêndios e furtos, proteger contra eventos climáticos, além de requalificar a paisagem e a acessibilidade urbana.

O secretário municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, apresentou, na tarde de terça-feira (14), na Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), o projeto de enterramento de fiação elétrica e de telecomunicações que a Prefeitura pretende implantar no anel central da Capital. Puppi participou da Oficina de Cabeamento Aéreo de Curitiba, iniciativa do Conselho Temático de Telecomunicações da Fiep, que reuniu especialistas e representantes do setor produtivo e do poder público para discutir o tema.

A implantação de fiação subterrânea tem como objetivo reduzir riscos de acidentes, incêndios e furtos, proteger essas estruturas contra eventos climáticos, evitando apagões e interrupções de funcionamento, além de requalificar a paisagem e a acessibilidade urbana.

Preocupação da sociedade

Na abertura do encontro, o coordenador do Conselho Temático de Telecomunicações da Fiep, Helio Bampi, destacou que a complexidade do problema exige uma atuação conjunta entre os diversos setores envolvidos. “O cabeamento aéreo de Curitiba é uma preocupação da sociedade. A Fiep, como representante da indústria do setor, tomou a iniciativa de reunir Copel, prefeitura de Curitiba, IPPUC, operadoras, provedores, universidades e demais entidades para discutir soluções de curto, médio e longo prazo”, afirmou o coordenador. Segundo ele, a oficina buscou aproveitar experiências bem-sucedidas já implantadas em outras localidades para construir propostas aplicáveis à realidade de Curitiba.

Helio Bampi ressaltou ainda que o principal resultado esperado do encontro é a consolidação de um plano de ação construído de forma colaborativa. “As definições tomadas em consenso serão encaminhadas aos órgãos e instituições envolvidos para que possam orientar as ações necessárias”, explicou. Entre os principais desafios apontados estão o crescimento da ocupação da infraestrutura aérea após a abertura do mercado de telecomunicações, a necessidade de maior organização do compartilhamento dos postes e a eliminação de cabos inutilizados ou em situação de risco, priorizando a segurança da população e dos trabalhadores do setor.

Visão da administração pública

“Desde o início da gestão, temos nos dedicado a essa questão dos fios de cabos sobrepostos na rede elétrica. O projeto já está bastante adiantado na contratação do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) para fazer uma estruturação no modelo de parceria público-privada. A ideia é fazer o enterramento de até 120 km de cabos aéreos. Nós temos desafios grandes em relação a essa modelagem, do ponto de vista regulatório e econômico, e é importante dividir com a sociedade essa discussão”, disse o secretário Vitor Puppi.

A intenção inicial é implantar o projeto em vias pavimentadas em Curitiba, com foco em áreas prioritárias, com regiões mais adensadas, turísticas, históricas ou com problemas de resiliência. O custo estimado é de R$ 1,2 bilhão.

“É um investimento muito grande, uma conta pesada para o município, que tem orçamento de R$ 16 bilhões por ano, bancar sozinho.  E ao mesmo tempo é um projeto inédito, que está muito alinhado com a característica de Curitiba de sair na frente em soluções urbanísticas e de sustentabilidade ambiental. É um projeto desafiador, mas que Curitiba está muito empenhada em fazer acontecer”, completou Puppi.

Segundo o vice-presidente da Fiep e coordenador do Conselho Temático de Telecomunicações da entidade, Hélio Bampi, a ideia é sistematizar as prioridades elencadas durante a Oficina e levar um plano de ação para a Prefeitura, operadoras e provedores.

“A privatização das telecomunicações no Brasil, a partir de 1998, e a chegada de vários operadores nos anos seguintes deu início à concorrência por espaço aéreo para implantação de estruturas de cabeamento.  Hoje temos uma situação que precisa ser resolvida. Há cabos pendurados, caindo, que trazem problemas de segurança e de poluição visual. Precisamos de uma solução do ponto de vista de meio ambiente, de estética, de segurança do trabalho e da população em geral”, disse.

De acordo com Puppi, é importante o diálogo com todos os atores do mercado para a construção da modelagem do projeto. “Por isso também criamos a Pars, que é uma empresa dedicada às concessões e PPPs no município”, lembrou.

O evento teve a participação também do diretor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Thomaz Ramalho, e do  gerente de Compartilhamento de Estruturas da Copel, Rafael Buckoski Gonçalves.

Secretário apresentou detalhes do projeto da administração.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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