Oncologista explica por que o sangramento e a dor ao urinar não devem ser confundidos com uma infecção passageira e alerta para os sinais do câncer de bexiga.
Ir ao banheiro e notar um tom avermelhado na urina é um sinal físico que costuma assustar qualquer pessoa. No entanto, é muito comum que os pacientes associem esse sintoma a problemas cotidianos e menos complexos, como uma infecção urinária passageira ou uma pedra nos rins. Embora na maioria das vezes a causa seja benigna, a Kora Saúde faz um alerta importante: a presença de sangue na urina é o principal e mais frequente sintoma do câncer de bexiga, um dos tumores do sistema urológico mais comuns e que exige diagnóstico rápido para garantir altas chances de cura.
A urgência no diagnóstico precoce ganha força diante das projeções oficiais mais recentes. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio de 2026 a 2028, o número estimado de casos novos de câncer de bexiga no Brasil é de 13.110 para cada ano, o que representa um risco de 6,12 casos a cada 100 mil habitantes. O mapeamento deixa clara a prevalência da doença no público masculino: são esperados 9.040 novos registros anuais em homens (um risco de 8,65 a cada 100 mil) e 4.070 em mulheres (uma taxa de 3,71 a cada 100 mil). Para o Dr. Fernando Zamprogno e Silva, oncologista da Kora Saúde, mapear esses grupos de risco é o primeiro passo para desenhar estratégias eficazes de prevenção na rotina do paciente
“Quando as pessoas pensam nas doenças causadas pelo tabagismo, o pulmão é sempre o primeiro que vem à mente. O que pouca gente sabe é que o cigarro também é o principal vilão do câncer de bexiga. As toxinas que a pessoa inala ao fumar são absorvidas pelo sangue e, depois de filtradas pelos rins, ficam concentradas na urina guardada na bexiga. Esse contato prolongado do órgão com as substâncias nocivas agride as células ao longo dos anos. Por isso, deixar o vício do cigarro de lado é, de longe, a forma mais eficaz e potente de prevenir esse tipo de tumor”, explica o oncologista.
Além do sangue na urina, o especialista da Kora Saúde destaca que as pessoas devem ficar atentas a outros sinais irritativos na região urinária que persistem por semanas. Sentir dor ou ardência ao expelir o líquido=trocar =urinar, ter uma necessidade urgente de ir ao banheiro mesmo com a bexiga vazia ou perceber um fluxo urinário visivelmente mais fraco do que o normal são indícios que justificam uma investigação detalhada no consultório médico. Embora manifestações desse tipo decorram, na maioria das vezes, de condições benignas comuns, como a infecção urinária, a persistência dos sinais após o tratamento exige atenção médica para descartar quadros mais graves, como o câncer de bexiga. Especialistas reforçam que o cenário não é motivo de pânico, mas sim de conscientização.
Para além do combate ao tabagismo, o médico aponta que a prevenção diária envolve atitudes simples que ajudam a “limpar” o sistema urinário constantemente. Beber bastante água ao longo do dia é fundamental para diluir a urina e diminuir o tempo de concentração de qualquer agente químico ou toxina na parede da bexiga. O cuidado também deve ser redobrado por profissionais que trabalham indústrias químicas, de tintas, borrachas ou derivados de petróleo, utilizando sempre os equipamentos de proteção corretos para evitar a inalação ou o contato com substâncias associadas ao desenvolvimento da doença.
Por isso, vale o lembrete de que o corpo sempre dá sinais quando algo não vai bem e negligenciar uma alteração na cor da urina pode custar um tempo precioso. Para quem deseja manter a saúde do sistema urológico em dia e garantir longevidade com qualidade de vida, o caminho mais seguro e definitivo sempre será buscar a avaliação de um especialista para realizar exames de rotina e investigar qualquer desconforto logo no início.





