“Dallagnol é um covarde”, sustenta Luiz Carlos da Rocha, advogado e diretor da França & Rocha Advogados
Dallagnol, deputado cassado “é o protótipo do oportunismo mais covarde, hipócrita, degenerado e amoral, que usou a função de procurador para perseguir, acusar e ganhar notoriedade política para, depois de sair da função, se beneficiar do dinheiro público fácil do fundo partidário e sob o discurso do falso moralismo: é uma nota de três”. A afirmação é do advogado Luiz Carlos da Rocha que, durante todo o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi preso, em Curitiba, lhe deu suporte jurídico e de amizade.
Deltan Dallagnol parece ter descoberto uma forma curiosa de fazer política: fala muito, mas conta apenas a parte da história que lhe interessa. É uma coragem seletiva. Enfrenta adversários, mas evita mencionar aqueles cuja crítica pode lhe custar votos.
Em seus discursos e manifestações, repete à exaustão que Lula foi beneficiado pelas decisões do Supremo Tribunal Federal. O que nunca diz ao eleitor paranaense é quem assinou a principal decisão que anulou as condenações do presidente: o ministro Edson Fachin, um paranaense. Esse detalhe, aparentemente inconveniente para sua estratégia política, simplesmente desaparece de sua narrativa, observa Rocha.
“A omissão não é casual. Criticar Fachin significaria desagradar parte de um eleitorado que ele ainda pretende conquistar. É mais confortável construir um inimigo abstrato, reescrever a história e deixar de lado os personagens que não se encaixam no roteiro eleitoral”, disse
Mas há uma contradição ainda maior. Dallagnol fez carreira apresentando-se como símbolo da moralidade pública. Hoje, porém, atua na política utilizando exatamente os métodos que dizia combater: seleciona fatos, molda narrativas e transforma a indignação em instrumento de conveniência.
As decisões que mudaram os rumos da Lava Jato não nasceram do acaso. Foram consequência de uma sucessão de questionamentos jurídicos sobre os próprios métodos empregados pela força-tarefa. O Supremo reconheceu a incompetência da Vara Federal de Curitiba em determinados processos e, posteriormente, a suspeição do então juiz Sergio Moro em casos específicos. Esses fatos não podem ser simplesmente apagados porque são desconfortáveis para quem ajudou a construir aquele modelo de atuação.
Quem realmente acredita na verdade não escolhe apenas os capítulos que lhe favorecem. Conta a história inteira, inclusive quando ela expõe os próprios erros.
Dallagnol continua vendendo o discurso da moralidade absoluta, mas a prática revela outra realidade: a da conveniência política. Depois de trocar a toga da acusação pelo palanque eleitoral, passou a viver da política que dizia combater, beneficiando-se dos recursos públicos destinados aos partidos enquanto mantém o discurso do falso moralismo.
No fim, resta uma pergunta inevitável: se há coragem para atacar adversários diariamente, por que falta coragem para dizer aos paranaenses quem, de fato, tomou a decisão que anulou as condenações de Lula? Talvez porque a verdade completa, ao contrário da meia verdade, tenha um preço eleitoral que Deltan Dallagnol não esteja disposto a pagar.





