Advogados pedem cassação da vereadora Thatiana Guzela

Thatiana

O pedido de cassação é por quebra de decoro parlamentar; parlamentar mandou colega “voltar para o Ceará”.

A vereadora Thatiana Laiz Guzela (PL), esposa do xerife Tito Barichello e que é acusada de ter praticado ato de xenofobia na Câmara de Curitiba, terá que responder por ação de advogados que protocolaram representação pedindo sua cassação por mandar colega “voltar para o Ceará”. Acusam a parlamentar de quebra de decoro parlamentar.

Os advogados Lincoln Machado Domingues e Matheus Miranda Guérios protocolaram, nesta quinta-feira (6), uma representação na Câmara Municipal de Curitiba pedindo a abertura de procedimento disciplinar contra a vereadora Tathiana Laiz Guzella (PL).

O documento solicita a aplicação da pena de perda de mandato por suposta quebra de decoro parlamentar durante a sessão legislativa realizada em 5 de agosto.

A representação tem como base declarações feitas pela parlamentar durante o debate sobre um projeto de lei relacionado ao cadastramento de pessoas em situação de rua.

“Voltar para o Ceará”, “encher o saco aqui”.

Segundo os autores, ao pedir um aparte à vereadora Vanda de Assis (PT), Tathiana Guzella questionou sua naturalidade e, após confirmar que a colega nasceu em Campos Sales (CE), afirmou que ela deveria “voltar para o Ceará”, acrescentando que havia vindo “encher o saco aqui”.

Na avaliação dos advogados, as declarações extrapolam os limites do debate político e configuram ofensa motivada pela procedência da vereadora, caracterizando violação ao Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Curitiba.

A representação sustenta ainda que a conduta afronta princípios constitucionais da igualdade e da não discriminação, além de apontar possível enquadramento na legislação que trata de injúria racial por procedência nacional.

O documento argumenta que a imunidade parlamentar não protege manifestações desvinculadas da atividade legislativa e que o uso da tribuna para ofensas pessoais representa abuso dessa prerrogativa.

Código de Ética da Câmara Municipal de Curitiba.  

Os autores afirmam que a iniciativa tem caráter apartidário e destacam que já apresentaram representações por quebra de decoro contra parlamentares de diferentes partidos. Eles requerem que a Mesa Diretora receba e processe a representação, determine a juntada das provas, incluindo a gravação da sessão, e, ao final do procedimento, aplique à vereadora a penalidade de perda do mandato, conforme previsto no Código de Ética da Câmara Municipal de Curitiba.  

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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