A despedida de Edgard Polchlopek, delegado que marcou história no Paraná

Atuou por décadas na “linha de frente” da Polícia Civil. Foi quem prendeu o famigerado Bandido da Luz Vermelha, há exatos 59 anos. Foi o fundador do restaurante Toca da Onça.

O Paraná se despediu neste sábado (8) de um de seus mais combativos deelgados da Polícia Civil, com trajetória marcada pela atuação na linha de frente de combate ao crime. Edgard Polchlopek faleceu aos 87 anos no Hospital Pilar, em Curitiba. O corpo foi velado na Capela Luto Curitiba e a despedida ocorreu à tarde no crematório em Fazenda Rio Grande. Edgard, apesar da fama da policial durão e que por décadas enfrentou quadrilhas e assaltantes temidos, era uma pessoa cordial e que ganhou destaque na Capital como fundador do famoso restaurante Toca da Onça, que deu sequência, décadas atrás, da carne de onça, o petisco de boteco mais tradicional da cidade, hoje patrimônio cultural e que teve a sua origem no bar Toca do Tatu, nos anos 1930.

O delegado Polchlopeck, como era conhecido, atuou em diversas delegacias do Paraná, com destaque na Furtos e Roubos, em Curitiba, e nas regionais de Guarapuava e Laranjeiras do Sul, onde esteve presente ainda nos anos 1970 e 1980, época em que eram comuns os crimes de pistolagens. O ingresso dele na Polícia, contudo, remonta à década de 1960. Um de seus grandes feitos foi a captura, no ano de 1967, em Curitiba, do catarinense João Acácio Pereira da Costa, o famigerado Bandido da Luz Vermelha. O curioso é que o assaltante e assassino, procurado especialmente pelas polícias de São Paulo e Rio de Janeiro, foi preso exatamente no dia 8 de agosto daquele ano.

Quando da prisão, João Acácio usava o nome falso de Roberto da Silva e confessou uma série de assaltos (77 como declarou à época) e quatro assassinatos, dentre eles o do industrial Janosh von Christian de Száraspatak, em São Paulo, além de sete tentativas de homicídios. Recebeu uma pena de 351 anos e nove meses. Após cumprir os 30 anos previstos em lei, foi libertado na noite do dia 26 de agosto de 1997 e retornou à cidade natal, Joinville. Morreu em 5 de janeiro de 1998, durante uma briga em um bar, com um tiro de espingarda.

A vida de crimes de João Acácio inspirou o filme “O Bandido da Luz Vermelha”, de 1968, do cineasta Rogério Sganzerla. O delegado Polchlopeck colaborou com os roteiristas e gostava de valorizar a equipe que conseguiu prender o assaltante, fato que gerou grande repercussão no país. A ação, na época, contou com a participação do delegado Moupir do Amaral, José Aymoré e Fioravante dos Santos. Nos últimos anos, depois de perder os filhos e a esposa, o “delegado durão” já tinha a saúde debilitada e dificuldade para andar. Em sua despedida, muitos ex-colegas de trabalho na Polícia fizeram questão de homenageá-lo pelos relevantes serviços prestados na segurança pública do Estado. Seu histórico registra centenas de prisões de homicidas e assaltantes, em especial de grupos que roubavam bancos, joalherias e residências. Seu nome é uma lenda nos meios policiais.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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