Com cassação de Lórens Nogueira, Luciano Carvalho deve assumir vaga na Câmara Municipal de Curitiba

Em sessão plenária realizada nesta quinta (20), vereadores entenderam que colega do Progressistas violou decoro parlamentar.

Os vereadores da Câmara Municipal de Curitiba aprovaram a cassação do colega Lórens Nogueira (PP) em sessão especial de julgamento realizada na quinta-feira (20), acolhendo as conclusões do Processo Ético-Disciplinar que apontava o cometimento de cinco infrações distintas ao Código de Ética e Decoro Parlamentar da instituição. Com a decisão, quem deve assumir a vaga é Luciano Cruz Carvalho, que é do mesmo partido e que recebeu 3.877 votos nas eleições municipais de 2024. Ele é natural de Curitiba e tem 48 anos. A posse ainda não foi oficializada e, quando efetivada, o partido volta a ficar com quatro representantes. Os atuais são Nori Seto, Pier Petruzziello e Mauro Bobato.

Durante a sessão, para cada uma das infrações apontadas foi realizada votação individual, sendo que em todas foram registrados 29 votos favoráveis. Para que a perda do mandato fosse confirmada, era necessária a concordância de pelo menos dois terços dos membros da Casa, ou seja, 26 dos 38 vereadores. O próprio Lórens votou e, óbvio, foi contra a cassação. Conforme explicou o presidente da Câmara, Tico Kuzma (PSD), bastava que fosse aprovada qualquer uma das cinco infrações para que pudesse ser aplicada a punição a Lórens Nogueira. Ao fim da análise das acusações, os vereadores votaram ainda a possibilidade de substituir a pena de cassação por uma de suspensão de mandato por 120 dias, opção rejeitada por 30 dos parlamentares.

A decisão é resultado da investigação conduzida pela Comissão Processante 1/2026. O parecer aprovado concluiu que o parlamentar praticou “rachadinha” ao exigir a devolução de parte da remuneração da funcionária Cristina Aparecida de Melo. À época dos fatos, completa o parecer, a denunciante ocupava cargo em comissão no Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) por indicação de Nogueira. A denúncia original havia sido formalizada pela ex-servidora perante o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR).

Durante o rito processual, seis vereadores ocuparam a tribuna para se manifestar. Durante a sustentação da defesa, Lórens negou a prática de irregularidades e declarou: “A rachadinha não existe, isso é mentira”. Disse que o registro em vídeo capturado durante a operação do Gaeco e veiculado pela imprensa se referia à quitação de um empréstimo pessoal concedido por ele à ex-servidora. Para corroborar a tese defensiva e comprovar a evolução do seu patrimônio, o parlamentar exibiu no telão do Plenário extratos de suas declarações de Imposto de Renda. Seu advogado, Jefferson Costa Vilela Pereira, argumentou “absoluta falta de provas” para cassar o mandato de seu cliente, afirmando que a pena máxima prevista no Código de Ética exige um “padrão de prova concreta, e não meras suspeitas ou opiniões”.

Em função do impedimento dos vereadores da Bancada do Partido Novo, que realizaram a denúncia, foram convocados para a sessão especial os suplentes Ariane Assis (Novo), Leticia Fanini (Novo), Rodrigo Marcial (Novo) e Paulo Melo (PL). Três deles, Ariane, Leticia e Paulo, utilizaram a tribuna para debater o caso. Além deles, Matteus Henrique (PT), Giorgia Prates – Mandata Preta (PT) e Serginho do Posto (PSD) se pronunciaram. A Sessão Especial de julgamento foi transmitida ao vivo pelas redes sociais da CMC e pode ser conferida no canal do Legislativo.

A decisão tomada pelo plenário é definitiva e não cabe recurso no âmbito da Câmara Municipal de Curitiba. A conclusão do processo observará os procedimentos estabelecidos pelo Decreto-Lei Federal nº 201/1967: lavratura da ata, com formalização do registro da votação nominal para cada uma das cinco infrações do Código de Ética imputadas ao denuncia; comunicação oficial, com notificação da decisão do Poder Legislativo encaminhada à Justiça Eleitoral; publicação do ato de perda de mandato; e convocação do suplente, com a Câmara tendo prazo de cinco dias.

Luciano Carvalho, suplente do Progressistas, deve assumir a vaga de Lórens.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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