Em Maringá, médica morta a facadas pelo marido advogado

Crime ocorreu na noite de sábado (5) no apartamento do casal. Bebê de oito meses foi encontrado ao lado do corpo da mãe. Acusado foi preso cerca de hora e meia depois.

A médica Gassí Paola de Souza Mazia, de 37 anos, foi encontrada morta na noite de sábado (5) em seu apartamento na região do Bosque 2, em Maringá, no Noroeste do Estado. Sofreu ferimentos a golpes de faca e o filho de apenas oito meses estava ao lado do corpo. Foi o choro da criança que atraiu a atenção de vizinhos. A Polícia Militar foi acionada e conseguiu prender em Mandaguari, cerca de hora e meia mais tarde, o marido da vítima e principal suspeito do crime, o advogado João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos. Ele apresentava ferimentos a faca, sendo hospitalizado e, quando tiver alta, será encaminhado à Subdivisão Policial de Maringá. O caso é apurado como feminicídio.

Formada em 2016 pela Universidade do Sul de Santa Catarina, Campus de Tubarão, e pós-graduada em Medicina da Família e Comunidade, Gassí Mazia era médica na Unidade Básica de Saúde (UBSs) da Vila Aliança, de Sarandi, município metropolitano de Maringá, e também professora-supervisora de Estágio de Medicina UniCesumar na disciplina de Interação Comunitária III. A Secretaria Municipal de Saúde de Sarandi emitiu nota de pesar e solidarizando-se com a família. Em um dos trechos da nota, destaca que “diante das circunstâncias de sua morte, também manifestamos nosso repúdio a toda forma de violência contra as mulheres”.

João Vitor era funcionário comissionado na Prefeitura de Marialva desde 2025. No ano passado, ele foi Diretor de Departamento Tributário e, desde março deste ano, atuava como Assessor da Procuradoria Jurídica do município, com vencimentos de R$ 6,8 mil mensais. Logo após a notícia do assassinato da médica, a Prefeitura de Marialva, outro município metropolitano de Maringá, anunciou o desligamento do advogado e repudiou o crime. Até o final da manhã deste domingo (6), a Polícia não tinha divulgado o conteúdo do depoimento do advogado. O velório da médica vai ocorrer a partir das 20h deste domingo (6) na Capela Funerária Prever Central, estendendo-se até 10h30 desta segunda-feira (7), quando ocorre o sepultamento no Cemitério Municipal de Maringá.

A PM foi acionada na noite de sábado depois que vizinhos, alarmados com o choro da criança no interior do apartamento, localizado próximo à Avenida Itororó, não tinham retorno no acionamento da campainha. Os policiais entraram no imóvel e encontraram a médica já morta e com a criança ao lado. O Samu e os bombeiros também foram acionados, mas nada podia ser feito. Com informações sobre o suspeito do crime, os policiais passaram a realizar buscas e o encontraram em Mandaguari, a cerca de 40 quilômetros do local da ocorrência. Com ferimentos a faca na altura do pescoço e tórax – seriam 12 perfurações mais superficiais – ele foi atendido no Hospital Universitário. A primeira informação é de que, em conversa informal, João Vitor teria dito que houve uma briga com a esposa. No atendimento feito inicialmente pelo SAMU, a primeira suspeita é de que o advogado tenha tentado o suicídio após assassinato da mulher.

O prefeito maringaense Silvio Barros manifestou pelas redes sociais sobre o triste episódio. “Maringá está de luto. É triste demais ver este tipo de tragédia numa cidade como a nossa. Por mais que as forças de segurança atuem com todo o rigor necessário para que a Justiça seja feita, e certamente farão isso, nada pode compensar a perda de uma vida, Neste momento de tanta dor, nossas orações estão especialmente com a criança que perdeu sua mãe, vítima de feminicídio, e com toda a família. Nenhuma mulher merece viver com medo. Nenhuma mulher merece sofrer qualquer tipo de violência ou agressão. Pela vida. Pelo respeito. Por amor. Chega de violência contra a mulher!”, disse o prefeito.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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