O ex-ministro, que apoiou a entrada de Moraes na Corte, diz ter se arrependido e vê a conduta de André Mendonça como correta; defende transparência e diálogo.
O ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello declarou em entrevista neste sábado (5) que Alexandre de Moraes “vem errando a mão” na Suprema Corte, e completa que “isso é muito ruim”. Indicado pelo ex-presidente Michel Temer, Moraes assumiu a cadeira no STF e recebeu o apoio de Marco Aurélio. Agora, o ex-ministro disse que se arrependeu de ter apoiado o nome dele para a vaga. Mello foi ministro de 1990 a 2021 e presidiu a Suprema Corte de 2001 a 2003.
Na análise do ex-ministro, houve uma “inversão de valores” na condução dos procedimentos que envolvem o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O seu entendimento é de que o ministro André Mendonça agiu corretamente ao receber um relatório da Polícia Federal e encaminhá-lo à Procuradoria-Geral da República (PGR). “Penso que está havendo uma inversão de valores. O ministro André Mendonça se defrontou com um relatório da PF e procedeu como deveria, encaminhando à PGR”, resumiu.
Marco Aurélio de Mello também criticou a adoção de sigilo nos procedimentos e defendeu que as investigações sejam conduzidas com publicidade e transparência. Para ele, a regra deve ser o acesso às informações, especialmente quando estão em discussão atos relacionados à administração pública. “A regra é transparência, publicidade, para que a gente saiba o que está acontecendo na administração pública. O sigilo não se coaduna com os ares democráticos”.
Marco Aurélio classificou como impensável e excessiva a tentativa de Moraes de tentar incluir um colega de tribunal (no caso, o próprio Mendonça) no chamado inquérito das fake news, reforçando que “o julgador não pode ser vítima no caso” e que juiz não investiga. Apesar das críticas severas à conduta recente de Moraes, o ex-ministro pondera que não se deve “crucificar nem o ministro Alexandre de Moraes e, muito menos, o ministro André Mendonça”, defendendo o diálogo e a resolução interna de conflitos.





