Procedimentos têm indicações diferentes, desde casos de paralisia das pregas vocais até mudanças na frequência da voz.
A voz pode apresentar diferentes alterações e, para cada uma delas, existem técnicas específicas. A tireoplastia é um procedimento realizado no arcabouço da laringe que pode atuar sobre as pregas vocais para corrigir alterações ou modificar a frequência da voz. Existem quatro tipos de tireoplastia, cada um indicado para uma necessidade diferente.
De acordo com o otorrinolaringologista e laringologista Dr. Guilherme Catani, a escolha da técnica depende da avaliação individual e do objetivo que se deseja alcançar. “Existem quatro tipos e cada uma delas tem uma indicação diferente. O objetivo é atuar diretamente nas pregas vocais para corrigir uma alteração ou modificar o tom da voz de acordo com a necessidade do paciente”, explica.
O Tipo 1 é indicado principalmente para casos de paralisia de prega vocal. A técnica busca aproximar a prega vocal paralisada da prega vocal que funciona normalmente, com o objetivo de melhorar a voz.
O Tipo 2 é utilizado em casos de disfonia espasmódica, condição em que a voz pode travar de forma involuntária. Atualmente, a aplicação de botox na região também é utilizada nesses casos, fazendo com que a tireoplastia Tipo 2 seja uma alternativa específica dentro do tratamento.
Já os Tipos 3 e 4 estão relacionados à modificação da frequência da voz. O tipo 3 pode ser indicado para homens que apresentam uma voz muito aguda e precisam deixá-la mais grave. O procedimento altera a tensão das pregas vocais, de forma semelhante ao que acontece quando se modifica a tensão das cordas de um violão para alterar seu som.
O Tipo 4, por sua vez, tem como objetivo deixar a voz mais aguda. A técnica pode estar relacionada a casos de readequação vocal, inclusive de mulheres trans, mas atualmente é realizada cada vez menos, com a glotoplastia sendo utilizada nesses casos.
A tireoplastia é realizada por meio de uma pequena incisão na região indicada, com anestesia local e sedação, e o paciente recebe alta no mesmo dia. O procedimento dura aproximadamente de 60 a 120 minutos, dependendo da técnica.
“Quando falamos em cirurgia da voz, é importante entender que não existe uma única técnica para todas as situações. Cada caso é único, e a avaliação médica é fundamental para definir qual procedimento faz mais sentido para o paciente e para o resultado que se busca alcançar”, afirma Catani.
A recuperação leva aproximadamente quatro semanas, com recomendação de repouso vocal por sete dias. Em muitos casos, a fonoterapia pós-operatória pode ser necessária para completar o tratamento e tem influência importante no resultado da voz.





