Ex-procurador se transformou numa espécie de voto de confronto com o sistema que o havia retirado da Câmara.
A eleição ao Senado no Paraná também foi traumática para a deputada federal, Gleisi Hoffmann (PT). Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), foram eleitos senadores pelo Estado. No caso de Deltan, depois de toda a batalha jurídica sobre sua candidatura, o eleitor resolveu colocar seu nome entre os vencedores nas urnas.
Politicamente, Deltan se transformou em numa espécie de voto de confronto com o sistema que o havia retirado da Câmara.
Filipe Barros representa o bolsonarismo. Sua vitória, somada à eleição de Deltan e ao desempenho de Sergio Moro para o governo, indica uma eleição paranaense fortemente inclinada à direita. O próprio debate nacional de 2026 colocou a eleição para o Senado no centro da estratégia da direita, especialmente pela relação futura da Casa com o STF e com um eventual governo Lula.
Gleisi, indicada pelo presidente Lula com objetivo de contribuir para o governo no Senado Federal, teve uma derrota que sacode a cúpula nacional do PT, pois se trata de um se trata de um dos principais nomes nacionais do lulismo.
A eleição de Filipe Barros e Deltan Dallagnol para o Senado consolida uma guinada à direita no Paraná e produz um resultado particularmente indigesto para o PT: a derrota de Gleisi Hoffmann, uma das figuras mais poderosas e identificadas com o lulismo no país.
Filipe chega ao Senado carregando a identidade do bolsonarismo. Deltan chega com uma história ainda mais carregada de simbolismo: depois de perder o mandato de deputado federal e atravessar uma guerra jurídica em torno de sua candidatura, recebeu nas urnas uma espécie de salvo-conduto político do eleitor paranaense.
O Paraná colocou Filipe Barros e Deltan Dallagnol no mesmo avião para Brasília. Um leva na bagagem o bolsonarismo; o outro, a Lava Jato e seu enfrentamento com parte do Judiciário.
Gleisi ficou na plataforma. Talvez seja essa a fotografia mais cruel da eleição paranaense: enquanto a direita embarcou duas vezes para o Senado, o PT perdeu o voo — e ainda ficou com a conta da passagem.
Nas redes sociais, após a vitória, Deltan desabafou: “15 dias sem poder pedir votos, sem fazer campanha, sem tempo de TV, sem dinheiro, sem redes sociais, por dias, combatendo fake news com uma decisão na véspera que dizia que ia tirar meu nome e jogar os votos no lixo. Mas o Paraná não se dobra, o Paraná não se cala, o Paraná não desacredita, o Paraná luta.”





