Depois de Zema, Caiado fecha apoio a Bolsonaro contra Lula no segundo turno

Até agora, Renan Santos e Augusto Cury declararam neutralidade. No Paraná, Sandro Alex, que concorreu ao governo do Estado e é do partido de Caiado, também alinhou-se a Flávio.

Após o presidencial Romeu Zema (Novo) ter anunciado apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, agora no “mata-mata” com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), também o candidato Ronaldo Caiado (PSD) alinhou-se à corrente oposicionista ao atual mandatário. O anúncio ocorreu nesta terça-feira (6) em encontro realizado em Goiânia. O anúncio foi feito ao lado dos governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Daniel Vilela (MDB), de Goiás, ambos reeleitos no último domingo (4).

Ao longo da campanha, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado fez duras críticas em vários momentos ao filho de Jair Bolsonaro, mas em nenhum momento chegou a afirmar que estava descartado o apoio em caso de segundo turno, como acabou ocorrendo. Caiado fechou a disputa com 2,18% dos votos válidos (2.605.148 votos), depois de ver sua candidatura desidratar nos últimos dias por força do voto útil, fenômeno que também alcançou o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que ficou com apenas 0,27% dos votos válidos (326.488).

Após o anúncio em Goiânia, Flávio Bolsonaro prometeu adotar propostas de Caiado para a segurança pública, defendeu a castração química de estupradores e a redução da maioridade penal, afirmando que menores de 16 anos que cometerem crime vão “pagar como adultos”. “A gente vai arregaçar com vagabundo”, disse o candidato à Presidência. Em sua fala, Caiado sustentou que “o que nós queremos é que você devolva o Brasil aos brasileiros. Vou entrar de corpo inteiro, por convicção”.

O ex-governador evitou falar em eventual participação no governo de Flávio, caso seja eleito, como no Ministério da Segurança ou da Saúde. Disse que isso seria atribuição do candidato e que, primeiro, era preciso conquistar o segundo turno. Não deixou de assegurar, contudo, que a sua esposa, a senadora eleita Gracinha Caiado (União), votaria a favor das medidas de Flávio caso ele seja eleito. “Gracinha estará no Senado para lhe ajudar a aprovar todas as matérias”, disse.

Os outros dois principais concorrentes à corrida presidencial, Escritor Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missões), em entrevistas dadas após o pleito asseguraram que se manteriam neutros no segundo turno. Cury teve 2,18% dos votos (3.448/569) e Renan 2,24% (2.675.887). Em tese, ambos seriam mais alinhados à direita, conforme análise de observadores políticos. Contudo, mesmo que se mantenham isentos, nada sinaliza que os votos que lhes foram conferidos possam ser migrados à campanha bolsonarista.

Antes mesmo de Ronaldo Caiado ter declarado seu apoio, Sandro Alex, que é de seu partido e concorreu ao governo do Paraná apoiado por Ratinho Junior, declarou agir com coerência e que está alinhado à candidatura de Flávio neste segundo turno, no qual o estado tem no governador eleito, Sergio Moro, e nos dois senadores também eleitos, Filipe Barros e Deltan Dallagnol, como puxadores de voto.

Governadores, senadores e parlamentares eleitos em vários estados se dividem em apoio aos dois candidatos à Presidência da República. O pleito encerrado no domingo colocou Flávio ligeiramente à frente de Lula. Ficou com 47,03% dos votos válidos (56.104.503), contra 45,16% (53.879.538) do atual presidente.

Imagens do encontro em Goiânia que selou a parceria.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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