Uma aposta que agora pode render frutos a Foz do Iguaçu

Na política, há momentos em que ficar em cima do muro é confortável. Mas não foi o que preferiu do prefeito de Foz do Iguaçu, Silva e Luna. Teve um lado.

Joaquim Silva e Luna, prefeito de Foz do Iguaçu, não ficou no muro. Fez uma escolha: a partir do momento em que o senador Sergio Moro (PL) oficializou que iria disputar o Palácio Iguaçu, o general fez continência e apostou seu capital político no hoje eleito governador do Paraná.

A decisão de Silva e Luna ganha, agora, novo peso e pode abrir uma avenida política entre Foz do Iguaçu e o Palácio Iguaçu.

Atravessando a ponte

Em março, quando a chegada de Moro provocou uma crise no PL paranaense e uma debandada de prefeitos, Silva e Luna demonstrava forte alinhamento com o governador Ratinho Junior. Mesmo assim, tomou uma decisão importante: não abandonou o PL, enquanto dezenas de prefeitos deixavam a legenda.

Foi em maio que o general atravessou definitivamente a ponte. Ao lado de Moro, declarou publicamente que enxergava no senador o nome para dar continuidade ao modelo de gestão do Paraná e anunciou seu apoio. Poucos dias depois, estava também no lançamento da pré-candidatura de Moro ao governo.

De peito aberto, nas ruas

Quando a campanha começou oficialmente, Silva e Luna colocou a estrutura política do PL de Foz na rua. Em agosto, reuniu aliados para trabalhar pelas candidaturas do partido; em setembro, acompanhou Moro em compromissos com empresários em Cascavel e, na reta final, participou da mobilização eleitoral em Foz do Iguaçu.

Passadas as urnas, a decisão política ganha uma dimensão administrativa. Silva e Luna afirmou nesta semana que trabalhou na campanha, comemorou a eleição de Moro e revelou que o governador eleito telefonou depois do resultado para agradecer pelo apoio recebido em Foz. O prefeito também destacou a necessidade de aproximação com os representantes eleitos para buscar investimentos para o município.

Foz do Iguaçu não pode transformar proximidade política simplesmente em fotografia, cafezinho ou acesso privilegiado ao gabinete do governador. A cidade tem uma agenda pesada: segurança de fronteira, infraestrutura, mobilidade, turismo, saúde e projetos estratégicos que dependem da participação efetiva do Governo do Estado. Durante a própria campanha, Silva e Luna já cobrava maior presença estadual nesses projetos.

Apoio convertido em ações para Foz

O prefeito fez sua escolha política antes de conhecer o resultado das urnas. Assumiu uma posição, participou da campanha e agora estará diante de um governador com quem construiu uma relação política ainda durante o processo eleitoral.

Se Sergio Moro reconhecer politicamente aqueles que estiveram ao seu lado, Foz do Iguaçu poderá ocupar uma posição importante na relação com o próximo governo. E Silva e Luna terá a oportunidade de converter o apoio eleitoral em algo muito mais valioso para sua cidade: obras, investimentos e presença do Estado na fronteira.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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