Piscicultura em momento crítico no Paraná pela falta de energia no campo

De acordo com o Sistema FAEP, quedas prolongadas e oscilações de tensão reduzem o desempenho dos peixes, queimam equipamentos e já causaram a morte de milhares de animais.

A piscicultura do Paraná, a maior do país, atravessa um momento crítico. Quedas prolongadas de energia e o fornecimento de má qualidade no campo ameaçam uma atividade que depende de aeradores elétricos para manter a água oxigenada. Sem energia estável, o produtor precisa recorrer a geradores, arcar com o custo do diesel e conviver com o risco de perder um ciclo inteiro de trabalho.

“O produtor rural investiu, se profissionalizou e produz com eficiência, mas nada disso se sustenta sem energia de qualidade. Na piscicultura, a falta de energia significa falta de oxigênio nos tanques e, em poucas horas, perda de animais e prejuízos financeiros na casa dos milhões de reais”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “É urgente que a Copel apresente soluções para o meio rural”, complementa.

O setor de criação de peixes tem peso na economia do Estado. Segundo o Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), o Paraná segue como principal produtor e tilápia do Brasil, com quase 70% da produção nacional. Em 2025, foram mais de 273 mil toneladas do pescado produzidas no Estado.

As exportações do pescado também são relevantes. Das 12 mil toneladas de tilápia enviadas para o mercado internacional em 2025, metade saiu do Paraná. O volume do Estado rendeu mais de US$ 28 milhões. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), os principais municípios produtores são Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon. Já a lista de cidades com maior quantidade de tanques inclui Itambaracá, Alvorada do Sul, Nova Prata do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Boa Esperança do Iguaçu.

Oxigenação e geradores no limite

“Quando a energia falha, o peixe sofre com a oxigenação da água. Com baixa oxigenação, o resultado do ciclo é comprometido: o ganho de peso diário cai e o peixe fica mais dias nos tanques até ser entregue”, explica o presidente da Comissão Técnica (CT) de Aquicultura do Sistema FAEP e do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Edio Chapla.

Segundo o dirigente, que também é piscicultor, são muitos os relatos de produtores com dificuldades pelo fornecimento deficitário de energia elétrica pela Copel na área rural de todo Estado. Os relatos envolvem a oscilação de energia, o chamado “pisca-pisca” que, na região de Marechal Cândido Rondon, é especialmente grave no fim da tarde e início da noite. Nesses momentos, a tensão fica baixa, mas não falta energia por completo. O gerador entende que não precisa funcionar, e as chaves de proteção das redes trifásicas impedem a partida dos aeradores para evitar a queima dos motores.

“Isso causa transtornos que vão para além da parte econômica. Tem impactado na parte psicológica. O produtor vive com a intranquilidade de saber se o gerador vai entrar, se o equipamento vai ligar e tendo que correr atrás desse fornecimento de energia. É uma tortura”, relata Chapla.

Fonte: FAEP

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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