Jurista e alta-comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, ela foi reconhecida por seus esforços na promoção da paz e do direito internacional. Trump ficou frustrado mais uma vez.
A jurista e ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, Navanethem “Navi” Pillay, foi a vencedora do Prémio Nobel da Paz 2026. O anúncio ocorreu na manhã desta sexta-feira (9) pelo Comitê Nobel norueguês. A sul-africana, de 85 anos, foi reconhecida pelos seus esforços na promoção da paz e do direito internacional, como indicou o presidente do Comitê, Jorgen Watne Frydnes. O presidente norte-americano Donald Trump foi ignorado, apesar de ter feito intensa campanha pública e se colocado entre os indicados.
“No momento em que o número de guerras e conflitos está aumentando e em que os juízes e as instituições de direito internacional estão sob ataque político, o Comitê Nobel deseja lembrar que a capacidade de resolver conflitos sem força ou violência depende do Estado de Direito internacional”, disse o presidente do Comitê no anúncio do prêmio. E acrescentou: “Um sistema jurídico internacional em que os criminosos de guerra sejam responsabilizados e as vítimas de abusos vejam a justiça ser feita é condição essencial para um mundo pacífico”.
- A cerimônia oficial de entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2026 acontecerá no dia 10 de dezembro de 2026 (aniversário da morte de Alfred Nobel), na Prefeitura de Oslo, na Noruega.
Navi Pillay foi alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014 e, mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos. A comissão, aliás, acusou Israel de cometer genocídio na Faixa de Gaza.
Pillay cresceu na África do Sul sob o regime de segregação racial do apartheid e tornou-se uma das primeiras mulheres de ascendência indiana a exercer a advocacia no país, destacando-se na defesa de ativistas antiapartheid. Como juíza no Tribunal Penal Internacional para Ruanda, ajudou a estabelecer o marco jurídico internacional que reconhece a violação sexual como ato de genocídio e crime de guerra.
A Prêmio Nobel da Paz de 2026 sucede a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que recebeu o prémio em 2025 pelos seus “esforços incansáveis” na promoção dos direitos humanos e das liberdades na Venezuela e no fomento de uma transição “justa e pacífica” da “ditadura para a democracia”. Maria Corina entregou sua medalha do Nobel ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pouco depois de Washington ter deposto o então presidente venezuelano Nicolás Maduro.
O Nobel da Paz é frequentemente considerado o mais prestigiado do mundo, tendo o Comitê norueguês recebido, este ano, nomeações para 287 candidatos, sendo um quarto, organizações.
Últimos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz
- 2026: Navi Pillay (jurista e ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos)
- 2025: María Corina Machado (líder opositora da Venezuela)
- 2024: Nihon Hidankyo (organização japonesa de sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki)
- 2023: Narges Mohammadi (ativista iraniana)
- 2022: Ales Bialiatski, organização Memorial e Centro pelas Liberdades Civis
- 2021: Maria Ressa e Dmitry Muratov
- 2020: Programa Alimentar Mundial (WFP)
- 2019: Abiy Ahmed Ali (primeiro-ministro da Etiópia)
- 2018: Denis Mukwege e Nadia Murad
- 2017: Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN)
- 2016: Juan Manuel Santos (ex-presidente da Colômbia





