Sequestrador morto em CMEI será sepultado neste domingo em Mallet, sua cidade natal

José Tobias Elias da Silva, de 40 anos, tinha histórico de internações psiquiátricas, uma delas após tentar matar mulheres no metrô em São Paulo.

José Tobias Elias da Silva, de 40 anos, o homem que manteve 13 crianças reféns depois de invadir o CMEI Júlio Moreira, no bairro São Braz, em Curitiba, será sepultado neste domingo (11) em Mallet, cidade do Sudoeste paranaense onde nasceu. Ele foi morto a tiros no próprio local da ocorrência, no início da noite de sexta-feira (9), em operação policial deflagrada após frustradas tentativas de negociação e de haver risco iminente à integridade das crianças de quatro e cinco anos de idade. O corpo foi identificado por familiares no IML de Curitiba e liberado ainda no sábado (10) para traslado para Mallet através de uma funerária de Rio Azul.

José Tobias tinha histórico de internações em unidades psiquiátricas. De acordo com documentos reunidos pela Polícia, ele era esquizofrênico. Uma de suas internações ocorreu em São Paulo, depois de tentar empurrar passageiras que estavam na plataforma da estação Sé, da Linha 3-Vermelha do Metrô. O fato ocorreu em 23 de abril de 2021 e, conforme registro de câmeras de segurança, as mulheres conseguiram se desvencilhar antes de caírem nos trilhos na aproximação de uma composição. Anotações encontradas com ele indicavam o plano de matar pessoas e depois cometer suicídio. Foi internado no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário e teve alta em 2 de julho de 2021.

Os organismos policiais paranaenses ainda estão reconstituindo os últimos passos de José Tobias, que estava residindo em Curitiba. Imagens de câmeras de segurança mostram ele chegando de bicicleta no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), no São Braz. Pulou o muro e entrou em uma sala com as 13 crianças, por volta de 15h. Dispunha de uma faca, simulacro de arma de fogo e em várias oportunidades fazia gestos com isqueiro, fazendo com que policiais suspeitassem de que tinha material inflamável e poderia provocar incêndio. Houve mobilização de grande aparato, inclusive de helicóptero e prontidão de equipes de socorro.

Policiais que participaram das tentativas de negociação disseram que José Tobias não tinha conexão em suas palavras e, tampouco, exigências para libertar as crianças, algumas delas indicadas com espectro autista. O uso da força pela equipe tática do BOPE foi empregado depois de pelo menos quatro das crianças terem sido lesionadas. Uma recebeu um soco no rosto, enquanto outra recebeu chute nas costas. Ao término da operação, com o sequestrador já neutralizado, recebendo tiros fatais, algumas das vítimas foram levadas a uma unidade hospitalar para atendimento.

Operação de limpeza no CMEI.

Atividades retomadas e medidas de segurança

Neste sábado (10), a Prefeitura de Curitiba mobilizou equipes da Secretaria Municipal da Educação (SME) para fazer a limpeza, pintura e a reformulação dos espaços do CMEI São Braz, após a invasão do local pelo sequestrador, na véspera. O trabalho prepara a unidade para a retomada das atividades, na próxima quarta-feira (14). As quatro crianças encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) receberam alta. Elas estão bem e em segurança com suas famílias.

Desde o início da ocorrência, a SME mobilizou equipes para acompanhar a situação e prestar assistência às crianças, aos familiares e aos profissionais do CMEI. Neste sábado, o contato com as famílias continua para identificar necessidades e oferecer o suporte necessário, inclusive com a disponibilização de atendimento psicológico.

“Neste momento, nossa prioridade é acolher a comunidade escolar e transmitir tranquilidade às famílias, aos estudantes e aos profissionais da Educação. Que possamos retomar as atividades com serenidade e seguir em frente, com a certeza de que a educação, o cuidado com as pessoas e os valores que nos unem devem prevalecer acima de tudo”, explica Paulo Schmidt, secretário da Educação.

Na próxima terça-feira (13/10), o prefeito Eduardo Pimentel reunirá representantes das áreas de Educação, Defesa Social e Guarda Municipal para avaliar as alternativas e definir as próximas medidas a serem adotadas.

A Prefeitura vai reforçar o patrulhamento da Guarda Municipal no entorno do CMEI São Braz e estuda novas medidas para ampliar a segurança nas unidades da rede municipal de ensino. A administração municipal reconhece a preocupação de pais e responsáveis e reafirma que a proteção das crianças e dos profissionais da Educação é uma prioridade permanente.

Curitiba possui um sistema de acesso às 240 unidades de Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e às 188 escolas municipais que prevê o controle de entrada mediante identificação dos visitantes. O apoio da Guarda Municipal pode ser acionado pelas equipes das unidades em situações de emergência.

Na ocorrência desta sexta-feira, os profissionais do CMEI São Braz aplicaram os protocolos de segurança do programa Defesa Civil na Educação – Conhecer para Prevenir, com atuação voltada à proteção das crianças e ao apoio às famílias, aos servidores e às forças de segurança.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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