Durante o “festerê” em Santa Felicidade, grupos de jovens faziam protestos em frente ao restaurante Madalosso
Sergio Moro (PL) venceu as eleições para o Governo do Paraná. Agora começa uma tarefa bem diferente daquela de conquistar votos: governar um Estado com 399 municípios, interesses regionais distintos e uma complexa engrenagem política e administrativa. O palanque pode render aplausos, mas não constrói hospitais, não recupera estradas e muito menos garante recursos para os municípios.
Em entrevista à Coluna do Estadão, Moro voltou suas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), classificando seu governo como péssimo, e defendeu investigações sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que estejam sob suspeita. São posições políticas que o governador eleito tem o direito de defender. Mas permanece uma pergunta fundamental: quais serão suas prioridades administrativas para o Paraná?
Apesar construir mais presídios e combater a corrupção?
Moro chega ao Palácio Iguaçu com experiência no Judiciário, passagem pelo Ministério da Justiça e mandato no Senado, mas sem ter exercido anteriormente a chefia de um Executivo estadual. Terá, portanto, de demonstrar capacidade de negociação, articulação e construção de maiorias.
Precisará dialogar com a Assembleia Legislativa, estabelecer relações com os prefeitos e construir pontes com Brasília, independentemente de quem vença a eleição presidencial. Também terá de negociar a composição de sua base parlamentar e a eleição da futura Mesa Diretora do Legislativo.
Foco, a eleição de Flávio
A movimentação política desta terça-feira (13), em Santa Felicidade, revela justamente a importância dessas articulações. O encontro de lideranças e prefeitos, mobilizado por Moro e aliados de Ratinho Junior, demonstra que a disputa pelo poder não termina com a apuração das urnas. Ela se transforma em negociação, alianças e compromissos. Mesmo que o motivo do festerê seja a eleição de Flávio Bolsonaro
O mesmo vale para Deltan Dallagnol (Novo), eleito senador pelo Paraná, mas ainda dependente de uma decisão definitiva do Tribunal Superior Eleitoral sobre seu registro de candidatura. Sua situação jurídica exige respeito ao devido processo legal, assim como qualquer investigação envolvendo autoridades do Supremo.
Moro e Deltan construíram parte importante de suas trajetórias públicas no enfrentamento à corrupção e nas críticas ao PT. Essa identidade política não desaparece com as eleições. Entretanto, o exercício de cargos públicos exige algo além da denúncia e do confronto: exige resultados, respeito às instituições e responsabilidade com a população.
O Paraná não pode ficar prisioneiro de disputas nacionais intermináveis. Seus problemas não esperam pelo próximo embate entre direita e esquerda, tampouco podem ser resolvidos com discursos inflamados nas redes sociais.
A campanha eleitoral tem prazo para terminar. A responsabilidade de governar começa justamente quando os palanques são desmontados. E será pela qualidade da gestão, não pelo volume das críticas aos adversários, que o novo governador deverá prestar contas aos paranaenses.
Protestos de ativistas
Enquanto o jantar acontecia no Madalosso, movimentos sociais de Curitiba, entre eles a Frente de Lutas e o CWB Resiste, fizeram um ato em frente ao restaurante contra a candidatura de Flávio Bolsonaro. A manifestação transcorreu de forma pacífica.





