Novos projetos incluem imóveis, hotéis, gastronomia, comércio e economia criativa. De janeiro a setembro, 6,8 mil empresas foram abertas na região, aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano passado. Prefeito avalia fenômeno.
O Centro de Curitiba vem atraindo uma nova onda de investimentos. Novos hotéis, supermercados, empreendimentos imobiliários, casas de shows, restaurantes, comércio e restauro de imóveis históricos estão mudando a paisagem da região. No embalo do programa municipal Curitiba De Volta ao Centro, os projetos se multiplicam.
O ritmo de abertura de novas empresas na região já cresce o dobro da média da cidade. De janeiro a setembro deste ano, 6,8 mil empresas foram abertas na região, o que representou um aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento. Na mesma base de comparação, o número de novos alvarás em toda a cidade cresceu 34%, para 61,5 mil.
“Quando lancei o Curitiba de Volta ao Centro, eu sempre disse que a Prefeitura ia liderar esse projeto, mas se todo o ecossistema da construção, do turismo, da gastronomia, a sociedade civil e o empresariado não viessem juntos, os resultados não seriam os mesmos. A cidade está empenhada na revitalização do Centro, todo mundo acreditou neste projeto, que traz vida para o coração da nossa cidade, e os resultados já estão aparecendo”, disse o prefeito.
A região, depois de anos de desocupação, volta a pulsar com aumento do número de moradores, turistas e frequentadores.
Novos empreendimentos
O setor imobiliário já despertou para esse movimento. Segundo dados da Brain Consultoria, que elaborou um estudo para a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi), a região vem atraindo projetos desde o fim da pandemia e o mercado continua aquecido.
Somente no primeiro semestre deste ano foram lançados nove empreendimentos no Centro, 80% mais do que em todo ano passado. O volume representa 2.158 novas unidades habitacionais na região, 75% mais do que o volume de 2025. O Centro, sozinho, representa atualmente 18,5% do total de unidades lançadas na cidade.
Hotelaria
O segmento hoteleiro também investe na região, que concentra, com o bairro São Francisco, 60,4% dos hotéis da cidade, segundo levantamento do Curitiba Turismo (CTur). Proximidade de pontos turísticos, infraestrutura e fácil deslocamento são pontos fortes da região, que tem 61 dos 101 hotéis existentes em Curitiba, totalizando 17.661 leitos disponíveis. E novos investimentos estão surgindo.
O antigo Hotel Clímax, localizado na Alameda Dr. Muricy, entre as ruas Pedro Ivo e José Loureiro, está recebendo investimento total de R$ 30 milhões para a construção de 132 apartamentos com a bandeira internacional Holiday Inn Express. A previsão de conclusão das obras é em 2029.

Retrofit
Prédios históricos que estavam fechados estão reabrindo. O imóvel que abrigou um antigo Cine Lido, dos mais tradicionais cinemas de rua da cidade, fundado em 1959 na Rua Ermelino de Leão, recebeu R$ 22 milhões para abrigar a nova casa de espetáculos da cidade, que leva o nome original e tem capacidade para 2,5 mil pessoas.
“São investimentos que requalificam a região e que ampliam a frequência de pessoas no Centro e novos negócios. Muitos dos projetos ocupam locais que estavam desocupados há anos, incluem reformas, retrofit e restauro, com impacto importante na paisagem urbana”, lembra Tatiana Turra, coordenadora do programa.
Ela ressalta que além dos projetos em curso, haverá ainda mais investimentos na região, impulsionados pelos benefícios do Curitiba De Volta ao Centro, como os incentivos fiscais de R$ 133 milhões e o edital de subvenção da Prefeitura para projetos de requalificação do Centro. O edital, pelo qual a Prefeitura vai reembolsar de 25% a 50% do valor das revitalizações, atraiu 47 propostas, que somam R$ 283 milhões em investimentos em projetos de habitação, hotelaria, comércio e serviços, gastronomia e de economia criativa. As propostas contempladas devem ser conhecidas em novembro.
Outro exemplo de revitalização é do Edifício Apolo, na Rua Mateus Leme, em frente ao Shopping Mueller. Construído em 1970 e batizado em homenagem à missão Apollo 11, que levou o homem à Lua, ele foi reinaugurado em setembro após passar por um amplo projeto de retrofit. Agora, o Apolo reúne 54 apartamentos semimobiliados, lojas no térreo e novas áreas comuns, incluindo academia, coworking e rooftop.
Varejo
Há cerca de um ano a rede de supermercados Muffato assumiu duas lojas da bandeira Nacional na região, uma na Rua XV de Novembro esquina com a Rua Mariano Torres e outra na Rua Comendador Araújo. Também no ano passado, a rede de supermercados Festval, inaugurou uma loja na Praça Osório e outra em frente à praça Ouvidor Pardinho. O Festval agora mira mais um investimento, com uma nova loja que será erguida na Rua Marechal Deodoro, endereço que já abrigou agências bancárias do Banespa e Santander, além de lojas de eletrodomésticos.
A rede de artigos esportivos, calçados e acessórios Serallê, uma das maiores do Paraná, fundada há 20 anos em Cianorte, no Noroeste do Estado, fez estreia no mercado curitibano com uma loja no Centro. O local, que abrigou uma grande agência do Banco Bradesco, nas esquinas da Rua XV de Novembro com Monsenhor Celso, recebeu em abril deste ano a megaloja da rede, de 1,2 mil metros quadrados.
Polo gastronômico
O Centro também tem se consolidado como polo gastronômico, com antigas e novas opções de restaurantes, bares, sorveterias e cafés.
A Soft Ice abriu uma sorveteria ao lado da Biblioteca Pública do Paraná, a trattoria Piccolina, especializada em comida italiana, abriu em agosto na Rua Augusto Stellfeld. Também em agosto, os donos do tradicional restaurante de massas Nonna Giovanna, na Rua São Francisco, abriram um novo negócio na mesma rua, o Empório Francesca.

Cafés
O segmento de cafeterias é outro em franco crescimento no Centro. O número de negócios na região cresceu 23% no Centro de janeiro a agosto. Foram abertos 662 novos espaços, 127 a mais do que no mesmo período do ano passado. Entre as novidades estão o café coreano Hozak, na Praça Osório, e o Cafézinho, dona Helena? na Saldanha Marinho, e a recém aberta unidade do café Medialuna Sabores Argentinos na Rua Carlos de Carvalho.

Tradição boêmia
A gastronomia de boteco, tradicional na região, ganhou a reabertura do Bar Stuart, o mais antigo do Paraná e um dos mais emblemáticos da gastronomia de Curitiba. depois de ficar fechado desde 2023, o espaço, na Praça Osório, esquina com a Alameda Cabral, voltou a funcionar em junho deste ano.
Fundado em 1904, o estabelecimento foi totalmente restaurado, com recuperação das características clássicas do espaço, respeitando elementos históricos e incorporando adaptações contemporâneas.

Ao lado do Stuart, outro bar resgata a clássica boemia do Centro, o Consulado Central. Aberto em fevereiro deste ano, o espaço remete aos clássicos botequins brasileiros e fica em frente a outro reduto tradicional do Centro, o Maneko´s.

Economia criativa
Inaugurado em maio, o Centro Portfolio de Fotografia, na esquina das ruas Riachuelo e São Francisco, une fotografia, arte, gastronomia, moda e educação em torno da imagem. O espaço cultural ocupa parte do Edifício Schmidlin Tamm, onde existia no início do século 20 a Casa Porcellana.
Outro exemplo de iniciativa que une moda, música, artes visuais e restauração de prédios históricos é da a marca curitibana de tênis e moda urbana Öus.
A empresa abriu, em dezembro do ano passado, um café e uma loja conceito em um prédio histórico construído em 1919 na Rua Saldanha Marinho, próximo da Praça Tiradentes. O edifício, tombado pelo patrimônio histórico, já abrigava a sede administrativa do grupo. No calçadão em frente ao prédio restaurado, a marca vem investindo em eventos culturais, com shows, e apresentação de coleções, que movimentam a região.

Cristina Rios/Prefeitura de Curitiba





