Produtores agrícolas já sentem os efeitos das chuvas no plantio

Meneguette defende seguro rural e políticas públicas para o produtor enfrentar essas perdas com as chuvas

O excesso de chuvas no Paraná acende sinal amarelo no Sistema Faep. Para o presidente da entidade representativa do agronegócio paranaense, Ágide Eduardo Meneguette, “os prejuízos vão além da lavoura, uma vez que aumentam os custos de produção, comprometem a renda e dificultam o planejamento”. A pauta agora do setor é uma atuação firme na defesa de um seguro rural e de políticas públicas que permitam ao produtor condições de enfrentar essas perdas e manter sua atividade, disse Meneguette.

Os efeitos das constantes chuvas envolvem desvalorização dos grãos por perda de qualidade, despesas adicionais e mudanças no planejamento da safra de verão, além de riscos para o desenvolvimento das lavouras nos próximos meses e redução da janela disponível para a implantação do milho safrinha.

Impacto das chuvas no ritmo dos trabalhos nos campos

Técnicos do Sistema Faep relatam que o cenário ocorre após um setembro de chuvas acima da média. Em 14 estações meteorológicas do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o acumulado foi o maior para o mês desde o início da série histórica há mais de 25 anos.

A semeadura da soja atingiu 39% da área prevista no Paraná no final da primeira quinzena de outubro, ou seja, 5,7 milhões de hectares. Boletim da Secretaria da Agricultura e Abastecimento aponta impactos das chuvas no ritmo dos trabalhos de campo e na qualidade das lavouras.

A intenção era semear primeiro as variedades de soja de ciclo longo, até 5 de outubro. A sequência de dias chuvosos porém estreitou o período disponível para executar as operações de plantio. A preocupação também alcança as lavouras implantadas, nas quais ele observa emergência e crescimento irregulares das plantas.

Erosão e encharcamento do solo

O plantio começou em 25 de setembro e deveria terminar por volta de 25 de outubro. Agora, a expectativa é concluir próximo de 10 de novembro, dependendo das condições meteorológicas. Segundo Santos, uma das semanas mais críticas teve acumulado de 250 milímetros nas áreas em que trabalha, com erosão, encharcamento e surgimento de pontos de afloramento de água.

De acordo com a Faep, o excesso de chuva também interfere nas operações de controle de plantas daninhas. Santos já identifica a necessidade de reaplicar herbicidas em algumas áreas, principalmente para combater a buva, com despesa adicional de R$ 200 por hectare nas áreas que exigirem novas intervenções. O custo pode aumentar mais se houver necessidade de replantio ou maior pressão de doenças.

Chuvas também favorecem doenças

“Chuvas intensas podem arrastar sementes e plantas pequenas, enquanto a umidade persistente favorece doenças e pode exigir aplicações adicionais de fungicidas”, explica a coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, Ana Paula Kowalski.

Para o trigo, a permanência no campo após o momento adequado de colheita amplia a exposição dos grãos à umidade. O prejuízo pode ocorrer tanto pela redução da quantidade colhida quanto pela perda de qualidade, que afeta a classificação comercial e a remuneração do produtor.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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