Rafael Câmara, campeão da F3 e que disputa o título da F2, vai ocupar cockpit da Hass e se junta a Gabriel Bortoletto no seleto grupo de pilotos. Treinos começam já nesta sexta e corrida será domingo (8).
A Fórmula 1 chega a São Paulo para a disputa do GP do Brasil 2026, a 20ª etapa da temporada das 23 previstas no calendário. As atividades no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, terão três treinos livres – dois já na sexta-feira (6), classificação e corrida de 71 voltas, no domingo (8), a partir das 14h. Atrações ao grande público é que não faltam, como a estreia do segundo brasileiro já neste campeonato. Rafael Câmara assume assento na Hass depois da polêmica com Esteban Ocon, demitido às vésperas do GP do México, quando foi substituído pelo japonês Ryo Hirakawa.
Rafael, de 21 anos, já estava acertado para correr a temporada de 2027 pela Hass, mas foi confirmado para o GP do Brasil porque Ryo disputa no fim de semana o campeonato de Endurance. Ainda não está definido se Rafael estará no cockpit da Hass nas três últimas provas porque ele ainda terá de disputar duas pela Fórmula 2, em que busca ser o campeão, repetindo o feito de Gabriel Bortoletto, que foi campeão das Fórmula 3 e 2 antes de ascender a Fórmula 1. O pernambucano ganhou o título da F3 em 2025.
Bortoletto, aliás, será outro destaque, disputando a sua segunda corrida de Fórmula 1 diante da torcida brasileira. O piloto da Audi chega ao GP de São Paulo depois de obter o 8° lugar no México, conquistando quatro pontos que o colocaram em 14° na tabela de pilotos, com 14 pontos, um a mais que o seu companheiro de equipe, o experiente alemão Nico Hülkenberg.
O italiano Kimi Antonelli, da Mercedes, já garantiu o título de pilotos no México. Porém, ao lado do companheiro de equipe George Russell, tentará ajudar a equipe a confirmar o campeonato de construtores, cobiçado pela premiação em dinheiro que representa. Aos 20 anos, Kimi se tornou o piloto mais jovem da história a conquistar o Mundial, depois de ficar com o terceiro lugar no autódromo mexicano Hermanos Rodriguez. Em sua chegada ao Brasil, foi recebido pela família do piloto Ayrton Senna, seu ídolo.
A nova missão de Kimi, agora, não é difícil, já que a Mercedes está atualmente com 126 pontos à frente da Ferrari, com quatro etapas restantes, e sem Sprints pela frente. Isso significa que ainda há um máximo de 172 pontos na tabela. Após a corrida deste fim de semana em São Paulo, esse número cairá para 129, o que significa que a Mercedes só precisa ampliar sua vantagem sobre a Ferrari em três pontos para se tornar campeã. A Ferrari na verdade superou a Mercedes por 34 pontos nas últimas quatro etapas, mas precisará reduzir muito mais a diferença se quiser estender ainda mais a disputa.
Outra atração é o tetracampeão Max Verstappen, que desembarca em São Paulo embalado por três vitórias consecutivas. O holandês venceu na Malásia, em Singapura e no México, consolidando a recuperação da Red Bull na reta final da temporada. Com as subidas ao lugar mais alto do ódio, Max foi a 261 pontos e pulou para o segundo lugar na tabela de pilotos, ficando atrás apenas do novo campeão Kimi, que está com 380 e não pode ser mais alcançado. O piloto da Red Bull está à frente de Lewis Hamilton, da Ferrari (259 pontos); de George Russel, da Mercedes (250); de Charles Leclerc, da Ferrari (245); e de Lando Norris, da McLaren e campeão de 2025 (221).

Depois do GP do Brasil, faltarão as etapas de Las Vegas (21ª), no Las Vegas Strip Circuit, Estados Unidos, de 19 a 21 de novembro; do Catar (22ª), no Circuito Internacional de Lusail, de 27 a 29 de novembro; e de Abu Dhabi (23ª), no Circuito de Yas Marina, de 4 a 6 de dezembro.
A expectativa é de que o GP em Interlagos mantenha a média recorde de público nos três dias de evento (6 a 8), chegando a mais de 300 miol pessoas. Na edição anterior, de 2025, foi registrado público total de 303.627 espectadores.
Confira a programação do GP do Brasil
Sexta-feira, 6 de novembro
TL1 – 12h30
TL2 – 16h00
Sábado, 7 de novembro
TL3 – 11h30
Quali – 15h
Domingo, 8 de novembro
Corrida – 14h
(*) Saiba tudo sobre o GP do Brasil. AQUI.

A História do GP
Interlagos, 86 anos, sempre de cara nova. O autódromo, que já recebeu 53 corridas de Fórmula 1 em sua história e recebeu campeões de todas as décadas desde os anos 70, continua sendo a peça de resistência do automobilismo sul-americano. É o único circuito do continente aprovado pela FIA para a Fórmula 1 e as últimas reformas o colocam no mesmo patamar dos autódromos clássicos de Silverstone, Monza, Spa entre outros.
A fama internacional da pista começou mesmo na década de 70. Depois de uma reforma essencial para adequar o traçado de 7,960 metros para corridas de monopostos, Interlagos viu surgir o primeiro campeão mundial de F1 pelo Brasil, Emerson Fittipaldi. Emerson venceu em 70 o Campeonato Internacional de Fórmula Ford. Em 71, o mesmo Emerson conquistou a vitória em uma corrida de Fórmula 2. Interlagos estava apto, então, para receber em 72 uma corrida extracampeonato de F1, vencida por Carlos Reutemann. Mas Emerson deu o troco no ano seguinte, ganhando o GP Brasil, já então somando pontos para o Mundial de F1. Emerson voltaria a vencer no ano seguinte, 1974, sob forte chuva, cabendo a José Carlos Pace a vitória em 1975, a única de sua carreira. Pace, que morreu em um acidente aéreo em 1977, dá nome ao autódromo paulistano.
Depois, nos anos 90, veio a reforma do traçado para a volta da F1 a São Paulo. O circuito foi reduzido de 7,9 quilômetros para 4,3 quilômetros, de acordo com as exigências da categoria. A pista ficou mais curta, mas o grau de dificuldade se manteve. E os carros passaram a correr mais tempo juntos, tornando as corridas mais interessantes para o público. A reforma teve o dedo de Ayrton Senna, responsável pelo desenho do S do Senna, a curva emblemática do traçado. Senna mostrou seu arrojo e categoria em duas vitórias memoráveis em Interlagos em 1991 e 1993.
De 70 até hoje, Interlagos tornou-se o palco esportivo do maior evento esportivo internacional do Brasil, recebendo todos os anos a elite mundial da Fórmula 1, de Jackie Stewart a Michael Schumacher, de Nigel Mansell a Nelson Piquet, de Niki Lauda a Ayrton Senna.
As corridas de Fórmula 1 trouxeram ilustres visitantes internacionais icomo os artistas Gene Hackman, Ugo Tognazzi, Sydne Rome, Gael Garcia Bernal, Mick Jagger entre outros. José Carlos Pace foi dublê de Al Pacino em Interlagos, nas cenas de pista do filme ‘Bobby Deerfield’, do diretor Sydney Pollack, no GP Brasil de Fórmula 1 de 1976. Em 1979, foi o beatle George Harrison quem pontificou no autódromo paulistano, em sua visita ao Brasil.
Nas bandeiradas, Pelé, Gisele Bündchen, Rebeca Andrade (a maior medalhista olímpica da história do país), a Rainha Marta (seleção feminina de futebol), o surfista olímpico Gabriel Medina, marcaram forte presença cercados de fãs desde a chegada a Interlagos.
Desde 2021, o GP ganhou o nome da cidade que abraça o autódromo: São Paulo. Com nova organização, a prova passou a dar ênfase também ao entretenimento, valorizando grupos musicais brasileiros, grandes intérpretes e, garantindo modernidade e tradição ao evento.
A rivalidade entre Max Verstappen (vencedor em 2019 e 2023) e Lewis Hamilton (vencedor em 2018 e 2021) deu o tom das mais recentes corridas de F1 em Interlagos. O traçado e a tradição de grandes corridas asseguraram ao autódromo o direito de realizar a sprint race, a corrida curta de F1 no sábado, desde 2021. É o único circuito a receber a sprint cinco vezes seguidas. Em 2025, o autódromo voltou a contar com um brasileiro no grid: Gabriel Bortoleto. A última participação brasileira tinha sido em 2017, com Felipe Massa. E a vitória de Lando Norris foi o passo decisivo para a conquista do título mundial da temporada.





