Por que o tabu da menopausa ainda atrasa diagnósticos?

Por Vanessa Costa –

Embora faça parte de um processo natural do envelhecimento feminino, a menopausa ainda é cercada por desinformação, estigmas e falta de diálogo. Para muitas mulheres, essa fase chega acompanhada de sintomas que vão muito além das ondas de calor, como alterações no sono, ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, fadiga, dores articulares, perda de massa muscular e mudanças na saúde cardiovascular. Ainda assim, esses sinais costumam ser minimizados ou confundidos com estresse e cansaço, atrasando o diagnóstico e o acesso ao cuidado adequado.

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o Brasil reúne cerca de 35 milhões de mulheres entre o climatério e a  menopausa. Apesar desse contingente, apenas cerca de 20% das mulheres climatéricas realizam terapia hormonal, quando indicada e após avaliação individualizada. Os números reforçam a necessidade de ampliar o acesso à informação baseada em evidências e às diferentes estratégias de cuidado disponíveis.

Mais do que tratar sintomas, especialistas defendem que a menopausa deve ser encarada como uma etapa importante da saúde feminina, que exige uma abordagem integral. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, acompanhamento multiprofissional, atenção à saúde óssea, cardiovascular e mental, além da educação em saúde, são pilares fundamentais para promover qualidade de vida e longevidade.

Para a nutricionista, empresária e fundadora da primeira menotech do Brasil, Vanessa Costa, a educação é um dos pilares para transformar a relação das mulheres com a menopausa. Com um trabalho voltado à disseminação de informação baseada em ciência e à formação de profissionais de saúde de diferentes áreas por meio de uma abordagem multidisciplinar, a especialista busca ampliar o conhecimento sobre essa fase da vida e contribuir para a quebra de tabus. “Quando a mulher entende as mudanças do próprio corpo e tem acesso a profissionais preparados, ela consegue reconhecer os sinais, buscar o acompanhamento adequado e viver essa transição com mais autonomia e qualidade de vida”, afirma.

Ao ampliar o debate sobre a menopausa, é possível reduzir preconceitos, incentivar o diagnóstico precoce e garantir que mais mulheres tenham acesso a informações confiáveis para tomar decisões conscientes sobre sua saúde. Falar sobre menopausa é falar sobre prevenção, bem-estar e qualidade de vida para milhões de brasileiras.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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