Visão embaçada pode indicar mais do que cansaço e merece atenção

Sintoma comum após longos períodos em frente às telas também pode ser sinal de doenças oculares.

Depois de horas diante do computador ou do celular, é comum perceber a visão um pouco embaçada. Em muitos casos, o desconforto está relacionado ao cansaço dos olhos, à falta de sono ou ao ressecamento. Quando o sintoma surge de forma repentina e se torna frequente é importante investigar a causa.

Segundo o oftalmologista Arthur Rubens Cunha Schaefer, médico cooperado da Unimed Curitiba, a visão embaçada pode estar relacionada a alterações em diferentes estruturas do olho, como a córnea, a retina e o nervo óptico. “Em muitos casos, a causa é simples e tem tratamento, mas esse também pode ser o primeiro sinal de doenças capazes de comprometer a visão de forma permanente”, explica.

Os motivos variam desde problemas comuns, como erros de refração, olho seco e catarata, até doenças que exigem acompanhamento especializado, como glaucoma, ceratocone, retinopatia diabética e degeneração macular relacionada à idade.

Alguns sinais, no entanto, exigem atendimento imediato. É o caso da perda súbita da visão, do aparecimento de flashes luminosos, do aumento repentino de moscas volantes, caracterizado por pequenos pontos que parecem flutuar no campo de visão, da deformação das imagens, da dor intensa nos olhos ou da sensação de uma cortina escura cobrindo parte da visão.

Ainda que o risco dessas doenças aumente com o envelhecimento, pessoas com diabetes, hipertensão, alta miopia, que fumam ou fazem uso prolongado de corticoides têm maior probabilidade de desenvolver alterações oculares e devem manter acompanhamento oftalmológico regular.

Fazer pausas durante o uso de telas, manter o organismo hidratado, evitar a automedicação com colírios, usar óculos com a graduação correta, controlar doenças crônicas e proteger os olhos da radiação ultravioleta são medidas que contribuem para preservar a saúde ocular.

Em muitos casos, o tratamento é rápido, como a atualização do grau dos óculos ou a cirurgia de catarata. Já nas doenças que atingem a retina ou o nervo óptico, identificar o problema rapidamente faz diferença para preservar a saúde ocular.

“A visão é um patrimônio que, muitas vezes, só valorizamos quando começa a falhar. Não é recomendado esperar a perda visual se tornar significativa para procurar atendimento. Na oftalmologia, o diagnóstico precoce continua sendo a melhor estratégia para preservar a qualidade da visão ao longo da vida”, conclui o oftalmologista.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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