A alma que a IA não alcança, pois talento não cabe em algoritmos

Uma brilhante aula de Paulo Vitola no projeto “Pensar no Bar”, de Rogério Mainardes e Ângela Domit

Nesta quarta-feira (05), o escritor, poeta e publicitário Paulo Vítola disse exatamente o que eu esperava ouvir há muito tempo sobre a relação entre o ser humano e essa poderosa máquina chamada Inteligência Artificial.

“Nada vai substituir o talento humano. A visão de mundo está, e sempre estará, na sensibilidade dos artistas que comandarão o futuro da humanidade. A IA jamais vai entregar o que nós criamos.”

A afirmação foi feita durante o bate-papo “Pensar no Bar”, projeto idealizado pelo publicitário Rogério Mainardes e pela jornalista Ângela Domit, um encontro que prova que boas conversas ainda são capazes de iluminar ideias muito além das telas e dos algoritmos.

As marcas da inteligência humana

Membro da Academia Paranaense de Letras, Paulo Vítola deu uma verdadeira aula sobre criatividade. Reconheceu a importância da Inteligência Artificial como instrumento para ampliar o acesso à informação e ao conhecimento, mas fez questão de estabelecer um limite intransponível: tecnologia não produz sensibilidade, repertório de vida, emoção ou imaginação. Essas continuam sendo marcas exclusivas da inteligência humana.

Concordo integralmente com Paulinho. E acrescento uma preocupação que vai além da IA. Vivemos também a era das redes sociais, onde a gritaria vale mais do que o argumento, a velocidade supera a reflexão e o espetáculo frequentemente ocupa o lugar do debate. Nunca tivemos tanto acesso à informação e, paradoxalmente, tão pouco tempo para pensar.

Por isso, iniciativas como o Pensar no Bar merecem aplausos. Rogério Mainardes e Ângela Domit prestam um serviço à cultura ao devolverem à conversa seu verdadeiro sentido: ouvir, refletir, discordar e aprender. O projeto já recebeu o escritor Domingos Pellegrini e demonstra fôlego para reunir muitas outras vozes que ajudam a pensar o presente e imaginar o futuro.

Onde houver seres humanos criando não haverá lugar para máquinas

No Bar Otelo, onde Vítola compartilhou suas reflexões, estavam atentos colegas jornalistas como Dante Mendonça, Ernani Buchmann, Maí Nascimento, Nilson Monteiro, Solda, Deiró, Mazzinha, Mônica Rischbieter e tantos outros. O chargista Paixão, com seu talento singular, eternizou o encontro em caricaturas precisas de Paulo Vítola, Ângela Domit e Rogério Mainardes.

Saí dali com uma convicção ainda mais forte: a Inteligência Artificial poderá escrever textos, compor músicas, pintar quadros e responder perguntas em segundos. Mas continuará faltando aquilo que não se programa nem se copia: a centelha da criação, o olhar sobre o mundo e a emoção que transformam informação em arte.

Enquanto houver seres humanos capazes de sentir, imaginar e criar, haverá um território que nenhuma máquina conseguirá conquistar.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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