Integração entre logística aérea, estrutura hospitalar e equipe especializada permitiu o aproveitamento do órgão; paciente recebeu alta apenas seis dias após a cirurgia.
Em pleno Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, o Hospital Angelina Caron tem uma história especial para contar. Ela começou com a generosidade de uma família doadora, atravessou diferentes cidades, mobilizou profissionais e instituições e terminou com uma excelente notícia: apenas seis dias depois de receber um novo fígado, o paciente Azuil Gomes Teotonio teve alta hospitalar.
Azuil estava em Foz do Iguaçu quando recebeu a notícia da possibilidade do transplante. O órgão havia sido captado em Maringá e inicialmente destinado a outro receptor, mas o procedimento não pôde ser realizado. Para que o fígado pudesse ser aproveitado, havia uma condição decisiva: o paciente precisava chegar o mais rápido possível ao Hospital Angelina Caron, na Região Metropolitana de Curitiba. Começava, então, uma verdadeira corrida contra o tempo.
O primeiro desafio era vencer a distância. Azuil embarcou em um voo comercial de Foz do Iguaçu até o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. A partir dali uma operação articulada pela rede pública de urgência e emergência permitiu que o deslocamento até o hospital fosse realizado por helicóptero, reduzindo um trajeto terrestre que poderia levar cerca de 40 minutos, dependendo das condições de trânsito.
A mobilização envolveu a Diretoria de Urgência e Emergência de Foz do Iguaçu, a Coordenação de Urgência e Emergência do Paraná, o SAMU Curitiba, a equipe aeromédica e o Núcleo de Operações Aéreas da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Mas chegar ao hospital era apenas a primeira parte do desafio.
Sete horas com o órgão fora do corpo
Quando a cirurgia começou, o fígado já estava há aproximadamente sete horas fora do organismo do doador. Em um transplante, esse intervalo é determinante, pois os órgãos possuem um período limitado de preservação até serem implantados no receptor. A partir daquele momento, experiência, planejamento e agilidade precisavam caminhar juntos.
A equipe do Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron realizou o procedimento em duas horas e 38 minutos, tempo fundamental para permitir o aproveitamento de um órgão considerado de excelente qualidade.
Para o Dr. João Eduardo Leal Nicoluzzi (CRM-PR 14148), coordenador e chefe do Serviço de Transplantes do Hospital Angelina Caron, o resultado foi possível porque diferentes etapas de uma operação de alta complexidade funcionaram de forma integrada.
“Foi uma corrida contra o tempo desde o início. O paciente estava em Foz do Iguaçu, o órgão havia sido captado em Maringá e, quando começamos o procedimento, já acumulava cerca de sete horas fora do corpo. Precisávamos realizar o transplante com muita agilidade e segurança. Conseguimos concluir a cirurgia em duas horas e 38 minutos, graças à experiência da equipe, à estrutura que o hospital mantém para transplantes e a uma mobilização que começou muito antes de o paciente entrar no centro cirúrgico”, explica.
Um trabalho que começa antes da cirurgia
Um transplante envolve muito mais do que as horas dentro do centro cirúrgico. A operação exige equipes preparadas para atuar a qualquer momento, estrutura hospitalar de alta complexidade, integração entre diferentes especialidades, disponibilidade de exames, UTI, acompanhamento pós-operatório e capacidade de responder rapidamente a situações que não podem ser previstas com antecedência.
Neste caso, toda essa estrutura precisou estar pronta para receber um paciente que atravessava o Paraná enquanto o tempo de preservação do órgão continuava correndo.
“Não existe transplante realizado por uma única pessoa. Existe uma equipe inteira trabalhando para que aquele órgão possa chegar ao paciente e para que ele tenha assistência antes, durante e depois da cirurgia. Médicos, enfermagem, anestesia, centro cirúrgico, UTI e diferentes áreas do hospital precisam funcionar de maneira coordenada. Somamos isso ao trabalho extraordinário realizado pela Secretaria de Estado da Saúde e pelas equipes responsáveis pelo transporte. Foi essa união que tornou o transplante possível”, destaca Dr. Nicoluzzi.
O Hospital Angelina Caron mantém seu Serviço de Transplantes desde 2001. Em 25 anos de atuação, a instituição ultrapassou a marca de 3,4 mil transplantes, reunindo experiência em procedimentos de alta complexidade e acompanhamento dos pacientes ao longo de toda a jornada.
Alta em apenas seis dias
Depois de uma operação marcada pela urgência, a evolução do paciente trouxe a melhor notícia. Azuil respondeu bem ao procedimento e, no sexto dia após o transplante, recebeu alta hospitalar. Para Dr. Nicoluzzi, o momento resume o resultado de uma cadeia que envolveu dezenas de profissionais, diferentes cidades e instituições trabalhando pelo mesmo objetivo.
“Quando vemos esse paciente deixando o hospital apenas seis dias depois, conseguimos dimensionar tudo o que aconteceu para que ele chegasse até aqui. Houve uma grande operação para transportá-lo, uma equipe preparada para recebê-lo imediatamente e um transplante que precisou ser realizado com rapidez e precisão. É uma enorme satisfação poder devolver esse paciente à família e saber que todo esse esforço conjunto resultou em uma nova oportunidade de vida”, afirma.
A história de Azuil começou com um órgão captado em Maringá, passou por Foz do Iguaçu, pelo Aeroporto Afonso Pena e por uma operação aérea até chegar ao Hospital Angelina Caron. No centro de toda essa mobilização estava um fator que não podia ser interrompido: o tempo.
E foi justamente a capacidade de diferentes equipes de trabalhar contra ele, cada uma cumprindo sua parte, que permitiu que um órgão doado se transformasse, seis dias depois, em um paciente voltando para casa.





