Ministro André Mendonça e procurador Paulo Gonet terão cinco dias para se manifestar sobre acusações de Moraes, enfraquecido com a retirada de sua denúncia do inquérito das fake news.
A um mês das eleições que começam a traçar o futuro dos poderes Legislativo e Executivo, o terceiro vê escalar a sua crise e que não há mais como ser abafada. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, ao participar na manhã desta sexta-feira (4) da solenidade no Palácio do Planalto sobre a sanção de leis que criam fundos destinados à Justiça Federal e ao próprio STF, fez aparte para se manifestar sobre o momento embaraçoso a que passa a Corte e garantiu que serão adotadas “medidas firmes, proporcionais e rigorosas” e que ninguém está acima da lei.
O ministro fez referência às suas metas quando assumiu a corte, mencionando o Código de Ética e também o fim do chamado inquérito das fake news, também chamado de “inquérito do fim do mundo”. Neste aspecto, Edson Fachin retirou do procedimento a investigação contra André Mendonça, numa reação de Alexandre de Moraes para atingir o colega em tentativa de “equilíbrio de forças, já que ele próprio (Alexandre) é quem conduz o inquérito. Assim, o presidente avocou as apurações de ambos os lados em procedimento sob sua relatoria.
Além de dar prazo aos ministros para que se manifestem, Edson Fachin também fez o mesmo em relação ao procurador-geral da Justiça, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que aparecem em destaque em conversas recuperadas pela Polícia no telefone do banqueiro Daniel Vorcaro e em citações em depoimentos. Gonet e Andrei estavam presentes na cerimônia no Palácio do Planalto. O procurador chegou a fazer breve discurso, mas sem qualquer referência a acontecimentos que fizeram estremecer a cúpula da Justiça. O diretor da PF aquietou-se.
Gonet na mira do Conselho do MP
Além de ter de responder ao procedimento aberto sob a relatoria do presidente do STF, Paulo Gonet também está na mira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que também inaugurou a sua apuração e pediu explicações. A depender do que vier pela frente, a questão pode ser arquivada ou ser levada ao plenário do Conselho. Esta situação igualmente deve se repetir no procedimento apuratório do presidente do STF, após ouvir os ministros, a PGR, a PF e o conteúdo dos relatórios e depoimentos acerca de aspectos que envolvem o Banco Master, no centro do maior golpe financeiro do País.
Na visão da imprensa internacional e de parte da nacional, o ministro Alexandre de Moraes tenta fazer “cortina de fumaça” para tentar enfraquecer om colega e, ao mesmo tempo, ganhar apoio de colegas de Corte e de forças do Legislativo e do Executivo. Porém, até agora não ofereceu explicações ou propiciou transparência sobre as graves acusações que lhe são impostas, o que inclui até mesmo o fato de ter pedido vistas a um processo vultoso associado a precatórios, que deu fôlego contábil ao Master em momento de crise. Ele deu seu voto somente em fevereiro deste ano e, embora seguindo voto dos pares e contrário ao banco, o espaço de tempo teria funcionado extremamente benéfico aos interesses de Vorcaro.
Na análise de juristas, que em grande parte se mostram surpresos com a reação de Alexandre de Moraes, de partir para o contra-ataque e tentar enfraquecer André Mendonça, não há dúvida de que agora o STF terá de adotar sim, como garantiu seu presidente, medidas duras, sob pena de perda ainda maior de credibilidade junto à sociedade e das próprias decisões já adotadas e que venham a ser assumidas. Promessa de dias ainda mais quentes em Brasília. Se o processo eleitoral já estava fervendo, agora com os novos componentes pode até respingar não só em candidaturas, mas personalidades presentes em funções públicas de relevância.






