Quando o Supremo perde o rumo, sobra para Fachin fazer a faxina

Sessão desta terça-feira (15) no STF é prova de fogo para o ministro Fachin e instrumento para colocar ordem na Corte Suprema. Se errar a mão, sobra para ele.

Estamos diante de situações extremamente graves em nosso país. À nossa frente, vemos uma nação cindida ao meio por uma guerra estúpida e nociva entre esquerda e direita que se acentua a cada dia, sem trégua, sem racionalidade. Dentro de nossas casas e nas ruas, assistimos a um espetáculo político dantesco, marcado por agressões e falta de bom senso, onde o que está em jogo não é o país, tampouco o Estado, mas o poder pessoal, personalizado e mentiroso.

Foto/Alamy.com

No Congresso Nacional, as lideranças que deveriam dar exemplo de democracia são as primeiras a figurar nas páginas policiais da mídia, enlameadas por acusações de corrupção e pela busca insaciável pelo poder eterno. É o comando do Senado Federal, o comando da Câmara dos Deputados, enfim, toda uma engrenagem que participa e defende esta guerra insana, fomentando o ódio entre as pessoas em vez do bem-estar coletivo.

Brecha perigosa para ruptura de valores e credibilidade

Agora, chegamos ao fundo do poço. A corrupção, o escárnio e o assalto aos cofres públicos chegam ao Poder Judiciário e atingem a sua própria cabeça: o Supremo Tribunal Federal. Os escândalos e mistérios que rondam a Corte Suprema geram um desconforto profundo, corroem a confiabilidade da população e abrem brecha para uma perigosa ruptura de valores e de credibilidade externa.

Se o caso do Banco Master, o Horse Dark, os desvios no INSS e tantos outros imbróglios que se arrastam há décadas nos tribunais não consistem em um atraso à democracia e em um soco no que restou do Estado democrático de direito, a sociedade brasileira ficará, efetivamente, sem rumo. Quando os poderes perdem a vergonha, o exemplo de impunidade desce a escada e contamina os andares de baixo — um risco imensurável para a nação.

Fachin deve desarmar esta bomba-relógio

Está agora nas mãos do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson Fachin — paranaense de nossa terra —, a responsabilidade de desarmar essa bomba e buscar um antídoto para o envenenamento das nossas instituições.

Fachin é submetido ao mais rigoroso teste de paciência, tolerância e força de caráter para enfrentar a situação em que seus próprios pares o colocaram. Não há espaço para leniência ou cumplicidade; terá de ser isento e intransigente, custe o que custar.

O Brasil e os brasileiros não podem esperar mais décadas pelo surgimento de lideranças genuínas e perfis estadistas capazes de desenhar um projeto nacional de futuro, uma visão que desperte nosso ânimo e entusiasmo.

Zombando no povo no Madame

Esse estado deplorável em que vivemos exige um basta imediato. É por isso que Edson Fachin tem em suas mãos a chance de se transformar em um personagem histórico, forçando o país a se encarar no espelho e quebrando esse retrovisor de atraso que castiga mais de 210 milhões de pessoas — muitas delas esmagadas por essa engrenagem implacável, vivendo na miséria enquanto a alta corte e o Congresso zombam de tudo no Madame Satã.

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Fachin tenta fechar as fissuras no STF e sessão será ao vivo na terça-feira • Pedro Ribeiro • Notícias, Opinião e Entretenimento

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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