Declaração de voto

Por Ricardo Kotcho –

Estava pensando em escrever uma coluna sobre o que está em jogo nas eleições do próximo domingo, quando recebi esse texto do jornalista e escritor Nilson Monteiro, membro da Academia Paranaense de Letras, meu contemporâneo na idade (ele com 75, eu com 78 anos) e de trabalho como repórter (seis décadas).

Ao ler o texto dele, vi que era exatamente o que eu queria escrever, pois ali estava resumido tudo o que penso e sinto sobre a eleição mais importante de nossas vidas, que vai decidir o futuro do Brasil como nação livre, democrática, civilizada e independente, o país que queremos deixar para nossos filhos e netos. Ou não.

Para não me acusarem de plágio, pedi licença para reproduzir abaixo, na íntegra, o texto de Nilson ao justificar a razão e a motivação do seu voto, sem precisar citar nomes, mas apenas princípios e valores, que também são

Creio que assim posso ajudar outros participantes ainda indecisos ou que pensam em se abster ou anular o voto, ao final da campanha presidencial mais estranha e despolitizada da redemocratização. Cada voto pode ser decisivo numa disputa tão acirrada que chega tecnicamente empatada à grande final. Você pode desempatar esse jogo.

Vida que segue!

(*) Ricardo Kotcho é jornalista e escritor. É colunista do portal UOL (desde 2008) e apresenta o programa “Pergunte ao Kotscho” no canal MyNews.

Meu voto, por Nilson Monteiro

Eu voto porque meu voto não é moeda de troca.

Eu voto com minha consciência limpa, as mãos limpas, a alma limpa, o aprendizado de vida limpa e o orgulho de ser brasileiro.

Eu voto norteado por uma trajetória de vida da qual não me envergonho e muito menos me arrependo. Muito pelo contrário.

Eu voto à luz de Deus!

Eu voto pelo ecumenismo e pela pregação do papa Francisco.

Eu voto contra os que se dizem religiosos (evocadamente católicos!) e são absolutamente avessos aos ensinamentos de Francisco.

Eu voto em oposição aos mercadores da fé, ladrões que transformam a religião em fontes de enriquecimento próprio e de sua matilha.

Eu voto em caminhos que busquem preservar a consolidação das instituições democráticas, que tratam a ciência como bússola e a responsabilidade pública como norma, chão onde se possa andar, com ou sem dificuldades, mas com firmeza.

Eu voto por escolher projetos que não se alimentem de ruído, mas de diálogo; que não se erguem sobre impulsos, mas sobre provas; que não transforma a vida coletiva em espetáculo, mas em compromisso.

Eu voto pela revisão permanente de erros, individuais e coletivos.

Eu voto pela dúvida como motor do mundo.

Eu voto, contudo, pela certeza de que a política é a única arte que anima (talvez permita) a convivência humana.

Eu voto contra o analfabetismo político e contra a cartilha infeliz dos que o estimulam.

Eu voto (luto) contra quaisquer tipos de analfabetismo.

Eu voto pela soberania nacional e porque sou absolutamente avesso a quem se envolve na bandeira brasileira e lambe mantos de assassinos internacionais, senhores da guerra e da corrosão da humanidade.

Eu voto contra o complexo de vira-lata.

Eu voto, em plágio, ao professor e amigo Clodomiro Bannwart, em política com educação, por gentileza, sem agressões à humana e sob o guia da inteligência para procurar o progresso socioeconômico de forma ampla.

Eu voto pelo legado de meu pai, que me ensinou a ser justo, ter respeito a qualquer pessoa e andar de cabeça em pé.

Eu voto pela recusa ao autoritarismo e pela busca por uma política que não fere, não divide e não fantasia.

Eu voto porque caminho com quem sustenta a ética, a serenidade, a clareza e o respeito, porque acredito que o presente só se enraíza e o futuro só floresce onde a democracia respira.

E não entrego meu voto, nunca, a quem teima em entregar o Brasil a impérios de discursos falsos (mas, específicos em nossas riquezas), a quem glorifica torturadores, a quem homenageia milicianos, a quem festeja genocidas, a quem gera ódios, a quem louva negacionismos e propaga a morte não só do planeta (mas igualmente aqueles que o habitam), a quem desrespeita minorias, a quem transforma sua verdade em arma, a ciência em descrédito e o caos em projeto.

Eu voto porque meu voto é sagrado.

Fiquem em paz!

(*) Nilson Monteiro é jornalista, poeta e escritor. Integra desde 2014 a Academia Paranaense de Letras, Cadeira 28.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

(**) Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do PedroRibeiroNotícias.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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