Secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, participou de audiência pública na Câmara Municipal, nesta terça (29). Defendeu resolver “perto de casa” demandas que não são de urgência.
A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) está reorganizando o atendimento da atenção primária para ampliar o vínculo dos curitibanos com a Unidade de Saúde (US) da região onde moram e evitar que demandas de baixa complexidade sejam levadas às Unidades de Pronto Atendimento (UPA). A mudança de fluxo foi um dos destaques apresentados pela secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, nesta terça-feira (29), durante audiência pública na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) sobre os resultados do SUS segundo quadrimestre de 2026.
“Nós queremos o cidadão na Unidade Básica de Saúde. Primeiro, porque é próximo da casa dele, e nós queremos facilitar isso, e ele ter o vínculo com a Unidade de Saúde”, afirmou Filipak. Segundo a secretária, as UPAs devem permanecer voltadas às situações que exigem resposta imediata. “[UPA ] é para uma urgência, [um atend*imento que] tem que ser feito naquele momento. E em 24, 36 horas, eu tenho que resolver a situação [de urgência] e encaminhar esse paciente para a rede”, disse.
Coordenada pela Comissão de Saúde e Bem-Estar Social, a realização da audiência pública é um dos instrumentos de fiscalização do SUS pelo Poder Legislativo, prevista pela lei complementar 141/2012, que atribui às câmaras municipais, com apoio dos órgãos de controle e dos conselhos de saúde, a tarefa de acompanhar a aplicação dos recursos e a execução das políticas públicas de saúde. Hoje, a sessão foi presidida por Pier Petruzziello (PP), membro da comissão, ao lado de Meri Martins (Republicanos), Angelo Vanhoni (PT), Carlise Kwiatkowski (PL) e Luciano Carvalho (PP). A audiência foi transmitida ao vivo pelo YouTube.
Consultórios digitais ampliam atendimento nas Unidades de Saúde
Uma das ferramentas adotadas pela Prefeitura de Curitiba para sustentar a mudança são os consultórios digitais. Segundo Filipak, o serviço já estava instalado em 29 Unidades de Saúde na data da audiência de hoje. O modelo combina acolhimento presencial com atendimento médico remoto para situações que não dependem de exame físico, como renovação de receitas, avaliação de exames e alguns sintomas leves. Nos últimos 100 dias, a rede ultrapassou 18 mil atendimentos por esse formato.
A secretária exemplificou que parte desses pacientes anteriormente poderia terminar nas UPAs, concorrendo com casos classificados como mais graves. “Esse cidadão, muitas vezes, tinha que sair lá da unidade dele, longe, e vir para uma UPA, para ser classificado como verde e ficar aguardando os atendimentos do laranja, do amarelo, que são prioridade por lei”, disse. Em levantamento anterior, quando havia 22 consultórios digitais em funcionamento, foram realizadas 9,8 mil consultas online em 30 dias. “Esses 9,8 mil pacientes voltariam para casa sem a sua necessidade atendida”, acrescentou.
Saúde quer recuperar vínculo permanente com o paciente
Para Filipak, a reorganização também busca recuperar uma característica histórica da atenção primária: o acompanhamento continuado da população pela equipe de referência da Unidade de Saúde. A secretária contrapôs esse modelo ao atendimento pontual das UPAs, onde a finalidade é estabilizar ou encaminhar os casos urgentes. “Resgatar o que nós tínhamos antigamente, em que o médico da Unidade Básica de Saúde, o profissional de enfermagem, o nosso dentista, era quem cuidava da população”, afirmou.
A SMS informou que as 109 Unidades de Saúde registraram 17,7 milhões de procedimentos entre janeiro e agosto, incluindo cerca de 1,4 milhão de consultas médicas, 651,9 mil atendimentos de enfermagem e 1 milhão de procedimentos odontológicos. “Ninguém quer que um cidadão saia da sua unidade, de perto da sua casa, e vá ficar dentro de uma unidade de urgência e emergência num atendimento de baixa complexidade que essa unidade pode fazer”, resumiu Filipak.





