Por Beatriz Tupinambá – Por que a longevidade feminina virou o assunto do momento?
A longevidade saiu do nicho e virou um comportamento que veio para ficar. Já a menopausa, não faz mais parte apenas das conversas de consultório, o tema entrou, de vez, na economia, nas empresas e na medicina, onde obriga todas as camadas da sociedade a olhar com mais cuidado para a saúde da mulher. Durante muito tempo, a esta fase de transição, foi tratada como um assunto íntimo, quase um segredo. Um relatório internacional da consultoria The Future Laboratory com o Together Group, publicado em 2026, mostra que as buscas globais no Google pela palavra “longevidade” triplicaram em um ano. Mas, para as mulheres, a conversa tem um ponto de partida diferente.
Segundo o Fórum Econômico Mundial, citado no relatório, as mulheres vivem, em média, mais de cinco anos a mais que os homens, mas passam 25% mais anos com a saúde comprometida. Parte disso tem uma explicação histórica,nos Estados Unidos, mulheres só passaram a ser incluídas de forma obrigatória em pesquisas clínicas em 1993.
Estima-se que, já em 2025, cerca de 1 bilhão de mulheres estejam passando por essa fase no mundo, e só no Brasil, são cerca de 17 milhões no climatério, que segundo o IBGE, os números por si só falam muito. Uma grande parte da população, em plena vida produtiva. O autocuidado e a realização periódica de exames é fundamental para elas não negligenciarem a própria saúde, cada fase delas exige um acompanhamento médico diferente e especializado.
No Brasil, o desejo de cuidado esbarra na falta de acompanhamento. Uma pesquisa de 2025 com 837 brasileiras de 40 a 65 anos mostrou que 82% relatam sintomas da menopausa e convivem, em média, com pelo menos sete manifestações ao mesmo tempo. Ainda assim, apenas 12% fazem terapia de reposição hormonal no Brasil, percentual inferior ao de países da Europa, onde chega a 20%. O impacto vai além da saúde: o Brasil é o país onde as pessoas mais relataram (49%) que a menopausa era uma barreira à progressão de carreira. Agora, viver mais não basta, chegou a hora de viver melhor.
Os sintomas da menopausa afetam a concentração, o sono e o humor, e isso aparece no trabalho. Já um estudo do Instituto Esfera, aponta que as perdas diretas de produtividade por afastamento do trabalho, por causa dos sintomas da menopausa, podem passar de R$2 bilhões por ano no Brasil. A conta considera só as faltas. Não entram nesse número as mulheres que trabalham com desempenho reduzido, a redução de jornada nem as aposentadorias antecipadas. Ou seja, o valor real tende a ser maior.
Por muito tempo, a mulher ouviu que a menopausa era o começo do fim. Que era ‘assim mesmo’ e que bastava aguentar. Isso não é verdade, e o sofrimento não pode ser normalizado jamais. Hoje, a gente sabe que a queda dos hormônios mexe com o coração, os ossos, o cérebro, o sono e a libido. Por isso, cuidar dessa fase é cuidar da longevidade com qualidade. E esse cuidado começa antes, ainda no climatério, com autoconhecimento e acompanhamento médico. A mulher de 40, 50 anos não quer apenas viver mais. Ela quer viver com energia, prazer, clareza e autonomia pelas próximas décadas. A menopausa não é fim, é transição. E, com informação e cuidado, pode ser a melhor fase da vida dela.
A menopausa não pode ser ignorada, a ciência mostra, a cada dia, que longevidade significa olhar com cuidado para hormônios, cérebro, coração e metabolismo. Ela é uma fase que dura cerca de um terço da vida da mulher, e a forma como é cuidada define como serão as próximas décadas. Falar disso abertamente, em casa, nas empresas e nas universidades, já é parte do tratamento.
(*) Beatriz Tupinambá é médica ginecologista, com especialização em Medicina Ortomolecular, Reprodução Humana, Ciências da Longevidade Humana, Atenção Primária à Saúde e Modulação Hormonal. Também é palestrante, escritora, professora da Pós-Graduação de Ginecologia Endócrina da Universidade do Rio de Janeiro (Unirio) e idealizadora do Método Ressignifique a Menopausa e Climatério.





