No mês das Crianças, quando também é celebrado o Dia Mundial da Visão em 8 de outubro, entidade chama a atenção para o problema, que pode passar despercebido dentro e fora da sala de aula
Dificuldade para enxergar o quadro, acompanhar uma leitura ou realizar uma atividade escolar pode ser confundida com falta de atenção ou desinteresse. Para milhares de crianças brasileiras, no entanto, o obstáculo para aprender pode estar na visão. O alerta é da SAS Brasil, organização social sem fins lucrativos que atua para ampliar o acesso à saúde especializada no país. Dados da Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira (IAPB) reforçam a preocupação: estudo realizado em parceria com a Fundação Seva, em 2024, aponta que quase 800 mil estudantes brasileiros frequentam as aulas com problemas de visão não corrigidos.
O dado ganha ainda mais relevância em outubro, mês marcado pelo Dia Mundial da Visão, celebrado em 8 de outubro, e pelo Dia das Crianças, em 12 de outubro. Além de comprometer a qualidade de vida, alterações visuais não identificadas podem afetar diretamente o desenvolvimento escolar. De acordo com o levantamento da IAPB e da Fundação Seva, uma criança com deficiência visual não tratada aprende metade do que um aluno com visão normal, cenário que pode gerar frustração acumulada e contribuir para o abandono precoce da escola.
O problema se soma a um desafio mais amplo na educação brasileira. Quase 400 mil crianças e adolescentes de 6 a 14 anos não frequentavam a escola em 2023, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Dados do IBGE também apontam a falta de interesse ou desmotivação, citada por 25,1% dos jovens, como o segundo maior motivo oficial para a evasão escolar. Problemas de visão são considerados por especialistas e entidades uma causa oculta e indireta importante associada a esse quadro.
O acesso ao cuidado oftalmológico também é uma barreira. Embora o acompanhamento periódico seja importante para a prevenção e a identificação precoce de alterações, 34% dos brasileiros afirmam nunca ter ido a um oftalmologista, segundo levantamento do Ibope.
Nesse contexto, iniciativas voltadas à identificação de problemas visuais ainda na infância buscam aproximar o atendimento especializado das crianças. Uma delas é o Ver Magia, da SAS Brasil, que atua em parceria com escolas públicas para identificar precocemente alterações que possam comprometer o aprendizado.
O projeto integra o programa Saúde da Criança Escolar, conjunto de iniciativas da organização voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e à promoção da qualidade de vida na infância. No Ver Magia, crianças de 0 a 14 anos passam por triagens, consultas com oftalmologistas, exames especializados e, quando há indicação, recebem óculos de grau sem custo.
“Um problema de visão não identificado pode acompanhar a criança por muito tempo e afetar não apenas o aprendizado, mas também sua autoestima, sua socialização e seu desenvolvimento. Muitas vezes, ela não consegue dizer que não está enxergando bem. Por isso, identificar essas alterações precocemente e garantir o acesso ao cuidado oftalmológico pode fazer uma diferença enorme na trajetória escolar e na qualidade de vida dessas crianças”, afirma Adriana Mallet, CMO e cofundadora da SAS Brasil.
Da sala de aula ao consultório
O trabalho começa dentro das próprias escolas. Professores são capacitados para realizar exames de acuidade visual e fazer uma pré-triagem dos estudantes. As crianças de até 14 anos que apresentam alguma alteração são convocadas para os mutirões presenciais.
Nessas ações, os pacientes passam por consultas e exames especializados. Quando é constatada a necessidade de correção visual, a criança pode escolher, no mesmo dia, a armação de que mais gosta. Os óculos completos, com armação e lentes, são doados pelo projeto.
A estratégia busca atuar justamente em uma dificuldade que nem sempre é percebida rapidamente pela família ou pela escola. Ao aproximar o atendimento oftalmológico pediátrico da rede pública de ensino, a iniciativa procura contribuir tanto para a saúde e a qualidade de vida quanto para as condições de aprendizagem das crianças.
Desde sua criação, o Ver Magia já realizou mais de 155 mil atendimentos, beneficiou mais de 44 mil pessoas e possibilitou a doação de mais de 4,4 mil óculos.
Ao longo dos anos, as ações chegaram a 31 cidades das regiões Sul, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste, e Norte do país. Algumas localidades receberam a iniciativa durante vários anos.
Para 2027, a SAS Brasil pretende ampliar o atendimento com o uso de telessaúde e a implantação de uma sala especializada em oftalmopediatria. A meta da campanha de captação é arrecadar verba para a construção do espaço. Até o momento, foram alcançados 87% do objetivo. Para ser parte desta campanha, acesse o site https://doa.re/zYou





