Moody’s adiantou o cenário reservado a quem levar a eleição.
De acordo com a agência de classificação de risco Moody’s, o vencedor, seja Flávio Bolsonaro ou Lula da Silva, que tomar posse em janeiro de 2027 herdará uma política fiscal cada vez mais pressionada, com crédito caro e endividamento alto tanto do governo quanto das famílias.
Na avaliação da Moody’s, tamanho equilíbrio influencia diretamente a confiança de quem investe, afeta os indicadores fiscais e macroeconômicos e repercute no perfil de crédito de diversos setores da economia.
Independentemente de quem vença, segundo a análise, o futuro ocupante do Executivo herdará um cenário fiscal ainda mais vulnerável que o atual. Conforme o relatório, não há, por enquanto, rota evidente capaz de estabilizar a dívida pública.
Endividamento nacional
Sem mudanças, portanto, o endividamento nacional tende a crescer em relação à dimensão da economia.
A agência lembra ainda que, na América Latina, o Brasil está entre as nações de maior endividamento soberano. Isso torna o ponto de partida mais delicado do que o de vizinhos importantes da região.
Caso Lula seja reeleito, a expectativa é que o arcabouço fiscal, regra que atualmente organiza as contas públicas, seja mantido pelo governo.
Num quarto mandato, resultados mais favoráveis dependeriam de três fatores: expansão da economia, medidas voltadas à receita e maior eficiência nos gastos.
Com Flávio Bolsonaro, a Moody’s enxerga maior probabilidade de cortes expressivos de despesas e de um esforço mais intenso para reduzir o endividamento.
A agência faz, contudo, duas ressalvas: os detalhes de execução permanecem indefinidos e a formação de consenso no Congresso pode se tornar um obstáculo político.
Orçamento com pouca margem de manobra
Seja quem for o vencedor, a análise indica que há pouco espaço para alterar as contas públicas. Como mais de 90% do orçamento federal encontra-se vinculado a obrigações previstas em lei, sobra pouca folga para qualquer mudança, aponta o relatório.
Diante disso, reformas de fôlego maior dependeriam da aprovação do Legislativo, conforme a agência.
Empresas e bancos no radar
No campo privado, a avaliação da Moody’s é de que a saúde financeira frágil de empresas no Brasil amplia os riscos de crédito quando o custo de financiamento sobe.
Mesmo assim, há quem deva enfrentar esse período em situação mais tranquila: companhias com grau de investimento, vistas como mais seguras pelas agências de risco, somadas às exportadoras e às firmas de infraestrutura regulada.
Na ponta contrária, a vulnerabilidade cresce para negócios que mantêm boa parte do endividamento em taxas flutuantes (indexadas aos juros de mercado, elas ficam mais caras quando esses juros avançam) e também para os que apresentam fluxo de caixa livre negativo, isto é, cujos gastos superam o que conseguem gerar.
O mesmo aviso vale para os bancos: com juros elevados, crédito mais caro e economia enfraquecida, tendem a sofrer a qualidade dos ativos e a rentabilidade do setor.
Estado e bancos públicos
Entre os pontos destacados no documento estão as definições do governo que assumir a respeito de instituições, governança e de quanto o Estado deve atuar na economia.
Essas definições, na visão da agência, determinarão o que esperar em termos de crescimento, crédito e investimentos.
Há ainda um alerta da Moody’s: a atuação do Estado pode se tornar uma ameaça a empresas estatais e a setores sujeitos a regulação.
No caso dos bancos públicos, a leitura é que o aumento dos programas de crédito governamentais tende a manter em alta as concessões, ainda que as condições operacionais piorem. Já uma possível mudança de governo reduziria o apetite dessas instituições por conceder empréstimos.





