Propaganda eleitoral é retomada para 2° turno e segue estratégias de campanha de Lula e Flávio

Lula critica governo anterior e pede mobilização; Flávio focou no discurso de “mudança” e prometeu manter programas sociais. Denúncias das últimas horas devem esquentar debate.

A propaganda eleitoral na televisão para o segundo turno foi retomada nesta sexta-feira (9) envolvendo os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL), atual senador e que, pelas pesquisas eleitorais de momento, aparece ligeiramente à frente na corrida ao Palácio do Planalto.

As peças utilizadas pelas candidaturas seguiram as estratégias adotadas pelos candidatos na primeira semana de campanha após o primeiro turno. O presidente Lula agradeceu votos, pediu mobilização nas redes sociais e nas ruas e fez críticas ao seu antecessor, Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Este, por sua vez, reforçou o discurso de “mudança” e prometeu manter programas sociais.

A defesa dos programas sociais ganhou destaque depois que Lula publicou, na quinta-feira (8), um vídeo nas redes sociais no qual afirma que a eleição do adversário colocaria em risco benefícios e serviços de saúde. Na gravação, dirigida àqueles “que não fazem o L e nem arminha”, o presidente diz: “Se Flávio Bolsonaro vencer, você perde. Perde a Farmácia Popular, o especialista no SUS e o tratamento com a caneta emagrecedora”.

Na reabertura da propaganda eleitoral, o programa de Lula dirigiu críticas à proposta de “tesouraço” de Flávio, exibindo trechos de notícias sobre cortes de recursos durante o governo de Jair Bolsonaro(PL). A peça mencionou áreas como Farmácia Popular, combate ao câncer, financiamento habitacional e merenda escolar.

“Quando um dos Bolsonaro fala em corte, é preciso relembrar para não repetir”, destacou a locução. Depois, a propaganda associou eventual vitória de Flávio à perda de benefícios: “Não deixe esse pesadelo voltar. Com o Flávio Bolsonaro, você perde”.

Marcando presença da peça de campanha, Lula agradeceu aos eleitores que votaram nele no primeiro turno e se dirigiu a quem não o apoiou, afirmando que chega à sua “última eleição” preparado para promover mudanças, tendo vinculado a ideia de prosperidade à geração de empregos de qualidade, melhores salários e oportunidades de crescimento.

“Você quer prosperidade. Eu estou junto com você”, disse. A peça também direciona pedido de votos aos eleitores que votaram em outros candidatos que não Flávio no 1º turno. A peça exibiu depoimentos de deputados chamados pela campanha para reforçar a ofensiva digital. Os participantes convocaram apoiadores a conversar com outros eleitores e fazer campanha nas redes sociais e nas ruas. Ainda houve tempo para uma manifestação em defesa do fim da escala de trabalho 6×1.

Ao encerrar, Lula contrapôs o discurso de mudança de Flávio, evocando a possibilidade de retorno ao passado e a perda de direitos. “Mudar não é voltar ao passado. Mudar não é perder o que a gente conquistou, nem voltar atrás nas conquistas das mulheres e dos trabalhadores. Vamos para a rua, vamos para as redes, vamos juntos ganhar essa eleição”.

Na parte reservada ao candidato Flávio Bolsonaro, houve repetição do slogan “Brasil do mesmo lado”. O tom propositivo e o discurso de mudança já tinham sido antecipados por integrantes da equipe do senador. O programa de Flávio destacou o resultado do primeiro turno, em que o senador ficou à frente do presidente Lula em número de votos. “A gente não está começando aqui uma nova campanha de segundo turno. A gente está dando o passo final para uma mudança que já começou”, disse já na abertura da peça.

A campanha apresentou uma sequência de perguntas e respostas sobre a continuidade do Farmácia Popular, do Minha Casa Minha Vida e do Bolsa Família. O trecho foi precedido por um alerta para que os eleitores tenham cuidado com notícias falsas. Flávio insistiu: “Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família. E quem tem emprego não perde o benefício”.

O candidato oposicionista também prometeu reduzir as prestações do Minha Casa Minha Vida e afirmou que o SUS terá “padrão Einstein”, em referência ao hospital. A peça, porém, não chegou a detalhar como essas medidas podem ser implementadas.

Casos de repercussão

O primeiro dia de propaganda eleitoral não chegou a trazer desdobramentos de acontecimentos das últimas horas, em especial dois que afligem a campanha do presidente Lula: a denúncia da revista Veja, de que o filme do presidente teria financiamento clandestino por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e a exposição da deputada eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos, encaixada como liderança na ofensiva digital da campanha petista.

Ana tratou de “apagar” suas redes depois do vazamento de posições polêmicas e agressivas envolvendo igreja, racismo e aborto, dentre outros temas. Justificou que estava sendo vítima de “fake news”. Sobre suposto áudio de Vorcaro, indicando ter entregue R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula, fora da contabilidade, para ampliar o custeio do filme do presidente, o advogado do ex-banqueiro disse que desconhecia tal informação, enquanto o estafe do petista anunciava estar preparando ações judiciais e pedido de direito de resposta á revista. Tais fatos, certamente, deverão aparecer nos próximos programas, seja em forma de esclarecimento ou de ataques.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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