O Paraná é maior do que as prioridades de quem vence uma eleição, afirma Alexandre Curi

Ratinho Junior e Alexandre Curi abrem as portas do Executivo e do Legislativo para uma transição democrática e respeitosa

O governador Ratinho Junior (PSD) e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi (Republicanos) dão, neste momento, um exemplo que deveria ser seguido por muitos daqueles que confundem adversários com inimigos. Deixaram as diferenças políticas de lado para receberem, de braços abertos, o governador eleito, senador Sergio Moro (PL), para uma transição democrática.

Resta saber, no entanto, se Sergio Moro terá a mesma grandeza para compreender que uma eleição lhe conferiu o direito de governar, mas não o monopólio da verdade.

Para Alexandre Curi, “o Palácio Iguaçu, sede do Governo do Estado, não é um troféu de guerra e a Assembleia Legislativa não é uma trincheira. Portanto, o Paraná não é propriedade de quem ganha uma eleição. Como vimos, as urnas escolhem os governantes e eles devem construir e administrar as demandas da sociedade”, disse o parlamentar.

Essa sempre foi a postura de Alexandre Curi. Sua história política mostra que um político que perde uma eleição, tem que demonstrar ser maior do que aquele que venceu. “Na Assembleia Legislativa, as portas estão, como sempre estiveram, abertas para todos e, agora, à equipe do futuro governador Sergio Moro. Esse é o nosso papel dentro de um sistema democrático”, pontuou.

A história eleitoral cobrará a conta

A postura de Curi merece respeito e não vale julgar erros ou acertos cometidos durante a campanha. Ratinho Junior pagou um preço político pela condução de sua sucessão. Alexandre Curi também foi vítima das circunstâncias e das escolhas feitas dentro do próprio grupo governista. A história eleitoral cobrará essa conta de quem tiver responsabilidade por ela.

“Uma coisa é disputar uma eleição e vencê-la. Outra, muito diferente, é compreender o significado de exercer essa responsabilidade”, afirma Alexandre Curi.

Sergio Moro, que construiu boa parte de sua trajetória pública no confronto, na denúncia e na polarização, terá agora o desafio de demonstrar capacidade de diálogo. Governar o Paraná exige muito mais do que vencer uma eleição, reunir multidões ou alimentar embates ideológicos nas redes sociais.

Moro governador como político e juiz?

Moro, que vem construindo uma biografia na política, jamais deixará de ser um juiz. Ele deverá governar não apenas com bajuladores ou com aqueles que estiveram ao seu lado durante a campanha. Moro terá que ter, ao seu lado, pessoas principalmente com ficha limpa. Afinal, ele é um juiz.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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