Cristina Graeml: tantos voos, tantas mudanças e nenhum pouso na Prefeitura e Curitiba ou Senado Federal
A jornalista paranaense Cristina Graeml parece ter descoberto uma maneira bastante peculiar de fazer política: trocar de partido, mudar de rumo, esquecer os aliados e, quando tudo parece encaminhado, surpreender com mais uma pirueta. Aprendiz na arte de conquistar votos e experiente na habilidade de colecionar controvérsias, Cristina continua dando aulas práticas de como transformar oportunidades políticas em constrangimentos públicos.
Depois de peregrinar por diferentes legendas até encontrar quem lhe estendesse a mão, a jornalista parece ainda não ter compreendido uma das lições mais antigas da política: a gratidão pode não render votos, mas a ingratidão costuma apresentar a conta. E, como ensinava o velho Ulysses Guimarães, a política tem memória, especialmente quando o assunto é traição.
Foi assim que Cristina percorreu muitas léguas pelo Paraná, a bordo de aviões e helicópteros, acompanhando o governador Ratinho Junior, que abriu espaços e lhe ofereceu apoio político na tentativa de conquistar uma cadeira no Senado Federal. Resta saber se, durante essas viagens pelas alturas, a candidata também se preocupou em conhecer os custos, a origem dos recursos e as responsabilidades envolvidas. Afinal, na política, ninguém voa de graça. E, quando voa, alguém paga a conta.
Pouso forçado
Terminada a eleição, veio o pouso forçado. Cristina perdeu. De novo. As urnas, essas criaturas inconvenientes que não se deixam impressionar por fotografias, discursos inflamados ou viagens de helicóptero, trataram de colocá-la de volta ao chão.
Mas a política, como se sabe, não permite descanso aos que fazem questão de surpreender. Agora, Cristina aparece nas redes sociais defendendo explicitamente Deltan Dallagnol (Novo), eleito senador pelo Paraná, mas ainda envolvido numa controvérsia jurídica sobre a validade de sua candidatura e de seus votos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Eis a ironia: Cristina parece empenhada em defender justamente um resultado eleitoral cuja eventual revisão poderia alterar o destino político de outros candidatos, inclusive de Alexandre Curi (Republicanos), terceiro colocado na disputa.
Qual seria, afinal, a jogada da jornalista? Convicção política? Estratégia para sobreviver no tabuleiro da direita paranaense? Uma tentativa de conquistar novos padrinhos depois de esgotar a paciência dos antigos? Ou apenas mais um daqueles movimentos em que o personagem entra em cena sem conhecer o roteiro?
Onde sopra o vento
É difícil decifrar. O que se sabe é que, na política, existem aliados de primeira hora, aliados de última hora e aqueles que só aparecem quando percebem para onde sopra o vento.
Cristina Graeml parece apreciar especialmente essa última modalidade. O problema é que a biruta pode mudar de direção quantas vezes quiser. Quem perde a confiança dos aliados corre o risco de descobrir que, na próxima decolagem, não haverá ninguém disposto a oferecer uma carona.
[15:48, 17/10/2026] Alexandre Curi: Perfeito também





