Os ausentes, somados aos que votaram nulo, em branco ou em outros candidatos no 1° turno, o contingente chega a quase 50 milhões de eleitores e forma a bolha da dúvida que sairá das urnas, neste domingo (25).
As eleições presidenciais para o segundo turno ocorrem neste domingo (25), com universo de aproximadamente 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar. O Paraná tem quase 8,61 milhões desse contingente e, por aqui, com a eleição de Sergio Moro (PL) para governador ainda no primeiro turno, e com a formação dos parlamentares estaduais e federais, o principal destaque fica por conta da corrida presidencial acirradíssima. A eleição para prefeito em Salto do Itararé e o plebiscito para definir a quem deve pertencer distrito da divisa dos municípios de São João e Chopinzinho, no Sudoeste, são situações excepcionais.
Em âmbito nacional, as pesquisas junto ao eleitorado mostram o quanto está disputada a vaga para o Palácio do Planalto para o período de 2027 a 2030. O oposicionista Flávio Bolsonaro (PL) aparece ligeiramente à frente do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas dentro da margem de erro. Uma posição que se mantém desde o final do primeiro turno, em 4 de outubro, quando o senador surpreendeu e ficou com a liderança, somando 47,03% dos votos válidos, diferença de 1,87 ponto percentual de Lula, que teve 45,16%.
Nessa corrida tão equilibrada, os candidatos têm buscado no segundo turno cooptar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. A abstenção nacional superou a marca de 33 milhões, ou seja, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto a votar, índice mais alto desde 1998. No Paraná, mais de 1,77 milhão de pessoas deixaram de comparecer às urnas, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O índice ficou em 20,59%, ligeiramente abaixo da média nacional, mas bem maior que o registrado na eleição passada no Estado, quando 1,68 milhão de ausentes foram anotados.
A difícil missão
A missão do atual presidente, de convencimento para capturar os votos dos ausentes, apresenta-se como mais complexa do que para Flávio Bolsonaro, conforme indicadores estatísticos de pesquisas e de históricos eleitorais. O Ceará, com 15,52%, e o Piauí, com 17,15%, estão entre os estados com menor abstenção e são exatamente os votam preferencialmente no candidato petista. Na outra ponta, entre os estados que mais tiveram abstenção, aparecem Mato Grosso do Sul (23,87%), Rio de Janeiro (23,32%) e Minas Gerais (22,81%), Bolsonaro liderou o número de votos e onde não haverá segundo turno para governador, fator que enfraquece a corrida às urnas, como indicam registros históricos.
No Paraná, Flávio recebeu 3.945.345 dos votos (59,91%), enquanto Lula alcançou 2.054.597 (31,20%). Os demais candidatos ficaram com cerca de 9%. Considerando os registros e as campanhas deflagradas no Sul do País, onde os três governadores eleitos são do PL, partido de Flávio, há poucas perspectivas de o eleitorado local promova mudança em sua tendência oposicionista ao atual presidente.
A abstenção no Paraná
Em terras paranaenses, a abstenção no primeiro turno foi marcante em especial nos municípios litorâneos. Matinhos foi o recordista, com quase 30% de ausentes (ficou em 29,35%). Vieram a seguir Portal do Paraná (26,11%), Palmas (26,42%), Ortigueira (26,00%) e Guaratuba (25,80%). Curitiba, a capital e com maior número de eleitores, a abstenção foi de 19,77%. Em Londrina foi um pouco maior, 20,94%, assim como Maringá, que chegou a 21,10%. Ponta Grossa teve 19,77%, São José dos Pinhais teve 20,32%, Cascavel teve 19,04%, Foz do Iguaçu teve 21,18%, Colombo teve 20,28, Guarapuava teve 19,56% e Araucária teve 20,25%.
Olhando apenas para o Paraná, não há o que se vislumbrar em termos de reversão do que ocorreu no primeiro turno. Contudo, em valores globais, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos, contra 53.876.617. A diferença de 2.227.651 votos, se diluída entre os que não foram votar, o que anularam e os que se concentraram em outros candidatos, universo que soma 49 milhões de eleitores, pode facilmente pender para qualquer lado, mesmo que contrariando a lógica das últimas pesquisas e o histórico das eleições desde 1989, após a volta das eleições diretas para presidente.
Dos brasileiros que estão fora do País e votam, pouco se espera de influência na gangorra. Eles somam quase um milhão e, deles, seis em cada 10 não votaram. E o resultado final apurado foi: 157.387 votos para Lula, contra 143.900 de Flávio Bolsonaro Certeza mesmo, somente na noite de domingo, depois que o TSE concluir a totalização dos votos. Um lado comemora e o outro lamenta. E protesta e busca eventuais caminhos da contestação. Se Lula assume seu quarto mandato em janeiro de 2027 ou Flávio Bolsonaro faz o caminho histórico de ser eleito seguindo






