Na altura do “Viaduto dos Padres”, entre Curitiba e Paranaguá, uma sequência de curvas, é onde registram-se os maiores números de acidentes e onde a rodovia não tem a menor condição de previsão ou enfrentamento da natureza.
A BR-277 que liga Curitiba a Paranaguá é uma das rodovias mais perigosas do Brasil. Em um trecho de pouco mais de 90 quilômetros, que atravessa a Serra do Mar no território paranaense, a atenção dos motoristas, principalmente de caminhões que descarregam produtos do campo no Porto de Paranaguá, a atenção deve ser redobrada.
Neste trecho, que corta a Serra do Mar, precisamente entre os quilômetros 30 e 42, na altura e proximidades do “Viaduto dos Padres”, uma sequência de curvas, é onde registram-se os maiores números de acidentes e onde a rodovia não tem a menor condição de previsão ou enfrentamento da natureza.
São constantes quedas de barreiras, blocos de rochas gigantescos, deslizamentos de terras e interrupções da pista. Esta via é crucial para o escoamento da produção agrícola em direção ao Porto de Paranaguá, ao turismo, para a mobilidade dos paranaenses e que já ceifou vidas de muita gente em tragédias que não param de acontecer.
No final de 2022 (novembro), um deslizamento de morro matou motoristas e paralisou o fluxo na rodovia por semanas. Já em 2023, uma pedra de toneladas caiu na pista e ficou ali por meses, como um monumento à lentidão do Estado brasileiro. O episódio escancarou a incapacidade de resposta do governo federal e estadual. Não havia plano, estrutura, nem urgência. Havia silêncio e revolta dos usuários.
Mesmo com a concessão, a BR-277 continua com encostas expostas, sem contenções, drenagens ineficientes e sem sensores de alerta. Ainda precisamos de sorte e da previsão do tempo para saber se será seguro trafegar pela Serra do Mar.
Como consequências desses bloqueios, grande parte por acidentes com caminhões de grande porte, perdem-se tempo, dinheiro e paciência. Caminhões parados, empresas pagando mais caro pela logística, turistas desviando para Santa Catarina. Famílias em risco.
O que estranha é que esse custo não aparece nos relatórios do DNIT, nem nos discursos oficiais, mas ele é pago diariamente por quem precisa usar a rodovia – principalmente os mais pobres, os caminhoneiros, os moradores do litoral. O agronegócio e o setor de transportes como um todo.
Não faltam diagnósticos. O que falta é vontade política e ação técnica concreta. A Serra do Mar exige contenções modernas, sensores sísmicos, drenagens profundas, plano de emergência. Exige prioridade, não promessas.
A BR-277, no trecho entre Curitiba e o Porto de Paranaguá, é um corredor logístico essencial para o Estado do Paraná e para o Brasil, sendo a principal ligação terrestre com o litoral paranaense. No entanto, o trecho que cruza a Serra do Mar apresenta altíssimo risco geológico e estrutural, especialmente entre os km 30 e 42.





