O papel da juventude nas eleições

Juventude nas ruas em nome da democracia

A juventude brasileira, mais uma vez, depois dos caras pintadas e diretas já, teve peso substancial na virada de Lula que, no primeiro turno perdeu para Flávio Bolsonaro por uma margem também pequena de votos – perto de dois milhões.

Um sinal de que que alguma coisa estaria para mudar no Brasil começou em Curitiba, quando perto de 50 mil jovens saíram de frente da Universidade Federal do Paraná e ganharam as ruas da capital paranaense em apoio à reeleição de Lula. Ao ocuparam as ruas, a onda ganhou forma e corpo em todo o país.

Energia nas ruas

Ao ocupar as ruas e mostrar que não pretende assistir passivamente aos rumos do país, a juventude iniciou uma série de manifestações que ganharam visibilidade nas ruas e nas redes sociais, jovens passaram a integrar o cenário político da reta final da disputa presidencial, levando energia, mobilização e novas formas de participação ao debate eleitoral.

A presença desses jovens tem um significado que vai além das bandeiras e dos discursos. Em tempos de comunicação instantânea, vídeos, publicações e manifestações presenciais ajudam a ampliar o alcance das mensagens políticas e a estimular conversas que ultrapassam os limites das campanhas tradicionais.

Também foram decisivos para a vitória de Lula, eleitores da terceira idade que depositaram confiança no presidente e foram às urnas para depositarem seus votos.

Existem jovens que apoiam Lula, outros que preferem seus adversários e muitos que avaliam a política a partir de preocupações concretas, como emprego, educação, segurança e perspectivas de futuro.

Redes sociais

Mas, quando os jovens decidem participar, deixam uma mensagem que merece atenção: a política não pertence exclusivamente aos partidos, aos dirigentes ou aos candidatos. Ela também se constrói na universidade, nas comunidades, nas redes sociais e nas ruas.

Mais importante do que transformar os jovens em protagonistas exclusivos de uma vitória é compreender o significado de sua participação. Uma democracia se fortalece quando novas gerações deixam de ser apenas espectadoras e passam a ocupar seu espaço no debate público.

Seu próprio destino

Essa mesma juventude, que contribuiu para eleger Lula, não deverá sair das ruas. Com certeza exigirá um governo sem corrupção, com foco na segurança pública, na educação e principalmente na saúde. Este será, agora, o papel dos jovens que mobilizaram o país.

As urnas contam os votos. As ruas revelam a disposição de uma sociedade para participar de seu próprio destino.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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