Dia Mundial para Prevenção da Exploração Sexual: como identificar sinais de abuso infantil? 

Medo constante, isolamento e repulsa ao contato físico merecem atenção dos responsáveis.

No dia 18 de novembro, Dia Mundial para Prevenção e Reparação da Exploração Sexual Infantil, a atenção se volta à importância de reconhecer sinais de abuso sexual contra crianças, que nem sempre conseguem relatar diretamente o que estão vivendo. Vergonha e dificuldade para compreender a violência podem fazer com que essas situações permaneçam no sigilo. 

A escritora Lucila Silva aborda essa realidade em É Bom Quando o Pai Viaja,  autoficção inspirada em acontecimentos reais de sua história familiar e premiada com o terceiro lugar no Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, em 2025. A partir das experiências retratadas no livro, é possível discutir comportamentos que merecem atenção de pais, familiares, educadores e outros adultos responsáveis.  

Embora nenhum sinal isolado confirme uma situação de abuso ou reações intensas e incomuns devem ser acolhidas com cuidado e, quando necessário, avaliadas por profissionais especializados. Confira 5 sinais de alerta: 

1. Medo intenso de uma pessoa ou de voltar para casa

A criança demonstra angústia diante da presença de alguém específico, fica excessivamente apreensiva quando essa pessoa se aproxima ou manifesta alívio desproporcional quando ela se afasta.  

Mudanças bruscas de comportamento relacionadas a determinada pessoa merecem atenção, principalmente quando acompanhadas de outros sinais de sofrimento. 

2. Isolamento e busca frequente por esconderijos

Esconder-se repetidamente, evitar a convivência com outras pessoas ou procurar lugares isolados em situações de tensão podem ser formas de tentar encontrar segurança. É importante observar se esse comportamento representa uma alteração em relação à maneira habitual de a criança agir. 

3. Reações incomuns ao toque e ao contato físico

A criança pode demonstrar pânico diante de brincadeiras físicas, recuar quando alguém tenta se aproximar ou apresentar desconforto intenso em situações de contato que antes aceitava.  

Respeitar os limites corporais da criança e não forçar abraços, beijos ou outras formas de contato é fundamental para que ela se sinta segura ao expressar suas vontades. 

4. Variações emocionais e comportamentos de ansiedade

Tremores, choro frequente, estado de alerta constante, dificuldade para relaxar e comportamentos repetitivos de autorregulação podem indicar que a criança está enfrentando algum tipo de sofrimento.  

Esses sinais não são exclusivos de situações de abuso, mas merecem atenção quando surgem repentinamente, se intensificam ou interferem na rotina. 

5. Vergonha excessiva do próprio corpo e alterações nos hábitos de higiene

Recusar atividades cotidianas, evitar trocar de roupa diante de outras pessoas, demonstrar vergonha intensa do próprio corpo ou apresentar alterações repentinas nos hábitos de higiene podem ser sinais de sofrimento que precisam ser compreendidos com cuidado.  

O importante é acolher o desconforto sem constranger a criança ou tirar conclusões precipitadas. 

Como os adultos podem agir diante desses sinais? 

Ao perceber comportamentos preocupantes, o adulto deve oferecer espaço para que a criança se expresse sem pressão, escutá-la com calma e levar suas manifestações a sério.  

Perguntas abertas, como “Você quer me contar o que aconteceu?” e “O que posso fazer para ajudar?”, permitem que ela fale no próprio ritmo. É importante evitar perguntas sugestivas, demonstrar que ela não tem culpa e não prometer segredo absoluto quando sua segurança pode estar em risco. 

Se houver suspeita de violência, procure ajuda da rede de proteção infantil e de profissionais capacitados. No Brasil, denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, canal gratuito de atendimento a violações de direitos humanos. Em situações de perigo imediato, é necessário acionar os serviços de emergência. 

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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