Curitibano atinge 190 km/h de bicicleta no Salar de Uyuni, na Bolívia, e deve ser homologado por recorde mundial pelo Guinness

Evandro Portela, de 49 anos, alcançou a marca a 4 mil metros de altitude, em um desafio que tinha como meta chegar aos 300 km/h; segundo a equipe, ninguém havia ultrapassado 70 km/h no local.

O curitibano Evandro Portela, de 49 anos, atingiu 190 km/h sobre uma bicicleta no Salar de Uyuni, na Bolívia, em um desafio realizado no dia 28 de outubro. A marca foi alcançada a aproximadamente 4 mil metros de altitude, em condições extremas para provas de velocidade, e já foi encaminhada ao Guinness World Records para homologação. A expectativa é de que o processo seja concluído em até 30 dias.

A tentativa fazia parte do projeto Bike Challenger 300, que tinha como ambiciosa meta levar o atleta à marca de 300 km/h sobre duas rodas. O projeto previa uma pista de aproximadamente 25 quilômetros e uma equipe de cerca de 20 pessoas. Para alcançar a velocidade projetada, o ciclista foi acompanhado por um carro de competição com cerca de 700 cavalos de potência, mas sem qualquer ligação com cabos, apenas aproveitando o vácuo produzido pelo veículo.

“Era um objetivo extremamente difícil, especialmente diante das condições encontradas no deserto de sal. Embora não tenha alcançado a velocidade projetada, o nosso resultado de 190 km/h supera com ampla margem qualquer velocidade já registrada por ciclistas no local. Até então, ninguém havia ultrapassado os 70 km/h no Salar de Uyuni”, explica Portela.

Superação desde o princípio

A dificuldade do desafio estava diretamente relacionada à altitude. Com o ar rarefeito e a menor disponibilidade de oxigênio, o desempenho físico do atleta e o funcionamento do conjunto mecânico são significativamente afetados. Para efeito de comparação, quando atingiu 202 km/h em Curitiba, em uma experiência anterior realizada praticamente ao nível do mar, as condições eram muito diferentes. Segundo a equipe, em condições semelhantes às de Curitiba, o conjunto utilizado na Bolívia poderia alcançar facilmente cerca de 230 km/h.

A marca de 190 km/h foi conquistada na terceira tentativa. Nos dois primeiros treinos, Evandro atingiu 135 km/h e 160 km/h, respectivamente, até conseguir superar os resultados e chegar à velocidade final.

O desafio também exigiu superar uma série de imprevistos mecânicos. Na véspera da tentativa, o carro de apoio apresentou uma falha na bomba de combustível, que queimou e precisou ser substituída. A equipe passou a madrugada trabalhando no reparo para viabilizar a operação. Mesmo após a conquista da marca, o veículo voltou a apresentar problemas mecânicos.

A própria expedição até o Salar de Uyuni já havia sido uma aventura. Foram cinco dias de viagem para transportar toda a estrutura até o destino, enfrentando estradas em condições precárias e uma sequência de problemas com os veículos, incluindo oito pneus estourados ao longo do percurso.

Histórico de desafios

O nome de Evandro já esteve no Guiness Book há quase dez anos. O ciclista chegou a 202 km/h, marca alcançada em uma bicicleta convencional e que ganhou repercussão em veículos de comunicação nacionais e internacionais. “Quando atingimos os 202 km/h em rodovia pública foi uma espécie de teste, pois estava em uma bike padrão normal, roda aro 700. Chegamos ao limite, mas sempre almejei o deserto de sal onde os maiores do mundo em velocidade testam suas máquinas. Então decidi me desafiar”, conta Portela.

A experiência acumulada ao longo de décadas no ciclismo é uma das principais credenciais do atleta. Evandro integrou a lendária equipe da Caloi nos anos 1990 e também competiu por equipes como Specialized-Santo André, Suzano e Dataro-Blumenau. Durante dez anos, esteve entre os cinco primeiros colocados do ranking nacional e conquistou títulos e resultados em importantes provas no Brasil e na Europa.

O projeto Bike Challenger 300 conta com o patrocínio de Farmácia Biológica, apoio de Mauro Ribeiro Shorts, Notable Metal Works, Metax Engenharia, Sport Clínic Vicenzi, UE2 Power Meter, Union ciclista del Oriente e Renato Ferraro.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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