Alterações nos níveis de colesterol podem aumentar o risco cardiovascular na terceira idade; acompanhamento médico e hábitos saudáveis são fundamentais para definir a melhor estratégia para cada paciente.
Com o avanço da idade, o acompanhamento da saúde cardiovascular passa a exigir ainda mais atenção. Entre os fatores que precisam ser monitorados está o colesterol, substância essencial para o funcionamento do organismo, mas que, quando apresenta níveis inadequados, especialmente de LDL, pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), níveis elevados de LDL-colesterol estão associados ao desenvolvimento da aterosclerose, processo em que ocorre o acúmulo de gordura nas paredes das artérias e que pode aumentar o risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Na população idosa, porém, a avaliação do colesterol deve considerar o estado geral de saúde, histórico clínico e presença de outras doenças e fatores de risco.
“Não existe um único valor de colesterol que determine, sozinho, se uma pessoa idosa está saudável ou em risco. A avaliação precisa ser individualizada e considerar fatores como histórico de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão, tabagismo, função renal e uso de medicamentos”, explica o médico Bruno Vial, da Said Rio.
Colesterol alto nem sempre apresenta sintomas
Um dos principais desafios relacionados ao colesterol é que ele geralmente não provoca sintomas. Dessa forma, uma pessoa pode apresentar níveis elevados de LDL por anos sem perceber qualquer alteração.
Por isso, o acompanhamento médico e a realização periódica de exames laboratoriais são importantes, especialmente para idosos que já apresentam fatores de risco cardiovascular.
“É comum que o colesterol elevado seja descoberto durante um exame de rotina. Por isso, não devemos esperar o aparecimento de sintomas para investigar. O acompanhamento permite identificar alterações precocemente e definir, junto ao paciente, quais medidas são necessárias”, afirma o médico.
Alimentação também faz parte do cuidado
Embora a alimentação não seja o único fator relacionado aos níveis de colesterol, ela desempenha um papel importante no controle cardiovascular. Após os 60 anos, a recomendação é priorizar uma alimentação variada, com frutas, verduras, legumes, cereais integrais, leguminosas e fontes adequadas de proteínas, além de reduzir o consumo excessivo de alimentos ricos em gorduras saturadas e ultraprocessados.
Para idosos, entretanto, mudanças alimentares devem levar em conta também outras necessidades nutricionais. Restrições muito severas podem favorecer perda de peso e massa muscular, problema que já é uma preocupação nessa faixa etária.
“Não adianta controlar o colesterol de maneira isolada e deixar de lado a manutenção da massa muscular e do estado nutricional. O plano alimentar precisa considerar o paciente como um todo, suas doenças, medicamentos, preferências e necessidades nutricionais”, destaca.
Atividade física também é importante
A prática regular de atividade física, quando liberada e adequada às condições de cada pessoa, também contribui para a saúde cardiovascular. Exercícios podem ajudar no controle do peso, na manutenção da massa muscular e na melhora de diversos fatores de risco.
Para idosos com limitações de mobilidade ou doenças crônicas, o acompanhamento de profissionais de saúde pode ajudar a definir atividades compatíveis com suas condições.
Medicamentos não devem ser interrompidos por conta própria
Em alguns casos, mudanças no estilo de vida podem não ser suficientes para atingir as metas estabelecidas pelo médico. Dependendo do risco cardiovascular do paciente, medicamentos podem ser indicados para reduzir o LDL.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia destaca que a definição das metas de LDL deve considerar o risco cardiovascular individual. Por isso, idosos que utilizam medicamentos para controle do colesterol não devem reduzir doses ou interromper o tratamento por conta própria.
“Outro ponto importante é revisar periodicamente todos os medicamentos utilizados pelo idoso. Como muitos pacientes fazem uso de diferentes remédios, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar benefícios, possíveis efeitos adversos e a necessidade de ajustes”, explica Bruno.
Mais do que olhar apenas para um número no exame, o cuidado com o colesterol na terceira idade deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de prevenção cardiovascular, que inclua acompanhamento médico, alimentação equilibrada, atividade física, controle da pressão arterial e do diabetes e atenção aos demais fatores de risco.





