Transformação da advocacia acelera chegada de uma nova geração à liderança dos escritórios

Dia do Advogado, 11 de agosto. Tecnologia, inteligência artificial, gestão e visão de negócios redefinem o perfil das lideranças jurídicas e mudam a forma de construir carreira na profissão.

Durante décadas, a ascensão na advocacia esteve diretamente ligada ao tempo de carreira e à excelência técnica. Hoje, o mercado jurídico passa por uma transformação que vem alterando esse modelo. A digitalização da economia, o avanço da inteligência artificial, a profissionalização da gestão e as novas demandas dos clientes têm ampliado o espaço para lideranças com perfil multidisciplinar, capazes de unir conhecimento jurídico, estratégia, inovação e visão de negócios. 

O movimento acontece em uma profissão que já tem forte presença de profissionais das novas gerações. O primeiro Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira (Perfil ADV), realizado pela OAB em parceria com a FGV, mostra que 55% dos advogados brasileiros têm entre 24 e 44 anos, indicando uma renovação importante no perfil da advocacia nacional.  

Ao mesmo tempo, os desafios enfrentados pelos profissionais que iniciam a carreira também mudaram. O levantamento Fala Jovem Advocacia, realizado pelo Conselho Federal da OAB com mais de 9 mil advogados e advogadas, aponta que temas como empreendedorismo, precificação de honorários, gestão, tecnologia e desenvolvimento profissional passaram a ocupar espaço central na construção da carreira jurídica.  

Essa mudança também aparece na forma como os escritórios estruturam seus processos de sucessão e desenvolvem novas lideranças. 

Para Fernando Bousso, CEO do b/luz, a advocacia vive uma transformação semelhante à observada em outros segmentos da economia. “A excelência técnica continua sendo indispensável, mas hoje ela precisa caminhar ao lado de competências como gestão, inovação, liderança e visão estratégica. Os clientes esperam que seus escritórios compreendam seus negócios e antecipem impactos regulatórios, tecnológicos e de mercado. Isso exige um perfil de liderança muito diferente daquele de alguns anos atrás”, comenta. 

Na avaliação de Bousso, essa transformação também acompanha uma mudança na forma como os próprios advogados enxergam a profissão. “Hoje, muitos profissionais já iniciam a carreira pensando em desenvolver habilidades de gestão, tecnologia, relacionamento com clientes e empreendedorismo. A advocacia deixou de ser uma atividade exclusivamente jurídica para se tornar uma profissão cada vez mais conectada à estratégia dos negócios”, explica. 

A tecnologia tem papel importante nessa mudança. Um levantamento da OAB São Paulo mostrou que 77% dos advogados afirmam utilizar inteligência artificial com frequência no trabalho, ante 55% no ano anterior, evidenciando a velocidade com que novas ferramentas vêm sendo incorporadas à rotina dos escritórios.  

Para Bousso, esse cenário exige uma mudança também na formação das futuras lideranças. 

“A próxima geração de líderes será formada por profissionais capazes de combinar conhecimento jurídico, gestão de pessoas, domínio tecnológico e visão empresarial. A experiência continua sendo essencial, mas o mercado passou a valorizar também a capacidade de adaptação e de conduzir organizações em um ambiente de transformação permanente”, acrescenta o CEO do b/luz. 

Na avaliação do executivo, essa mudança não representa uma ruptura com o modelo tradicional da advocacia, mas sua evolução. ” O advogado do futuro será, ao mesmo tempo, um especialista em Direito e um gestor preparado para lidar com os desafios de um mercado em constante transformação”, finaliza.  

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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