Membros da etnia Kaingang de Rio das Pedras entraram em confronto com policiais em saque a carreta com eletrodomésticos acidente nesta terça (11). Seria o 11° saque só neste ano.
O incidente ocorrido na tarde de terça-feira na BR-277, em Nova Laranjeiras, quando houve confronto entre policiais e indígenas da etnia Kaingang que promoviam saque à carga de eletrodomésticos de uma carreta que tombou, teria sido o 11° somente em 2026 na região da Terra Indígena Rio das Cobras e são recorrentes há anos.
A Polícia Rodoviária Federal e a EPR Iguaçu, concessionária da rodovia, pediram providências imediatas visando a prevenção de novos episódios, como o de agora, que além de exigir o bloqueio total nos dois sentidos da via por quase seis horas, com formação filas de mais de 13 km, e ainda retardou o socorro o motorista da carreta sinistrada, que ficou gravemente ferido. Também um policial militar ficou ferido no conflito.

Quando da chegada dos primeiros patrulheiros, da base de Cascavel, e de equipe de socorristas do SAMU ao local, ocorreram hostilidades, tentativas de agressões e início do saque da carga da carreta que tombou. Foi necessário a chegada de reforço policial para tentar conter as dezenas de indígenas da comunidade que se reuniram no local. Cerca de 40 policiais militares de equipes especializadas do Choque, Rotam e RONE foram mobilizados e tiveram de usar bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha para tentar dispersar a multidão.
Um dos episódios de maior repercussão na BR-277, nas proximidades do km 484, onde tombou o caminhão nesta terça (11), ocorreu em novembro de 2020. Na ocasião, após choque entre um veículo de carga e uma van, dezenas de indígenas fizeram o saque de carga de óleo lubrificante e mercadorias que estavam no veículo de passageiros. Pouco se importaram com o motorista da van, que foi ejetado na batida e morreu no local. Ele foi pisoteado pela multidão. Quatro dos envolvidos foram presos e autuados pelos crimes de furto qualificado (saque de carga) e vilipêndio de cadáver.
Contudo, alguns dias depois, cerca de 400 integrantes da comunidade fizeram protesto na rodovia e atacaram viaturas da PRF, fizeram reféns e resistiram à intervenção de reforço policial, que precisou empregar bombas de efeito moral. As negociações demoraram horas, já que o grupo de manifestantes exigia a libertação imediata dos presos, o que não foi atendido, exigindo a transferência dos acusados para outra região sob sigilo. Desde então, acidentes naquele trecho da importante rodovia do Estado motivam furtos e saques nos veículos.






