Despedida da atriz ocorre nesta terça (18), em cerimônia restrita a familiares e amigos. Morte ocorreu segunda-feira (17) à noite, em sua casa, no bairro Sumaré.
A atriz Laura Cardoso, um dos principais nomes da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos em sua residência, no bairro Sumaré, na Zona Oeste de São Paulo. A morte ocorreu na noite de segunda-feira (17) e a informação foi divulgada no perfil oficial da atriz no Instagram. O velório começou às 8h e seguindo até 14h na Funeral Home, com presença de familiares e amigos. Entre os familiares presentes, o bisneto Fernando Faria e a neta Adriana Balleroni.
Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, Laura Cardoso faria 99 anos em setembro. Ao longo de sua carreira, interpretou mais de 60 personagens na televisão, incluindo dona Izaura, na novela Mulheres de Areia, Guiomar, em A Viagem, e Sinhana Coragem, em Irmãos Coragem. As últimas aparições de Laura na televisão foram como dona Sinhá, em Sol Nascente, e como Caetana de Souza, em O Outro Lado do Paraíso, já aos 90 anos.
Com atuação no cinema, televisão e teatro Laura Cardoso recebeu vários prêmios por suas atuações. Como atriz coadjuvante, levou o prêmio Grande Otelo em três ocasiões por sua atuação em Copacabana (2002), O Outro Lado da Rua (2005), De Onde Eu Te Vejo (2017).
Recebeu o prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, em cinco ocasiões. Na televisão, foi laureada como Melhor Atriz por Os Apóstolos de Judas (1977) e Irmãos Coragem (1995). No cinema, levou o prêmio de Melhor Atriz por Através da Janela (2001). Por fim, levou o APCA como Melhor Atriz em Teatro por Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu (1990) e Vereda da Salvação (1993).
Pelo conjunto de sua obra, foi homenageada com o prêmio Guarani Honorário, em 2021, e o Troféu Oscarito, no Festival de Gramado, em 2023. Também foi laureada duas vezes com o Troféu Imprensa de Melhor Atriz por sua atuação em A Noite Eterna (1963) e Moulin Rouge, a Vida de Tolouse-Lautrec (1964)
Nas redes sociais, diversos nomes da dramaturgia brasileira lamentaram a morte de Laura e homenagearam a trajetória da atriz. “Laura era gigante, compulsiva e tinha um talento que não cabia em seu corpo pequeno”, escreveu o ator Miguel Falabella, ao postar uma foto ao lado da atriz.
O ator Ary Fontoura se referiu à atriz como “amiga querida” e “companheira de tantas caminhadas”. “Essa luz, esse sorriso e esse brilho jamais serão esquecidas.” A atriz e cantora Zezé Motta postou uma foto de Laura e destacou que a arte brasileira se despede “de uma de suas maiores damas”. “Laura foi grande, foi inteira, foi eterna”.
Carreira marcante
Laura Cardoso construiu uma das carreiras mais longevas da dramaturgia brasileira, tendo São Paulo, seu estado natal, como ponto de partida. Nascida em 13 de setembro de 1927 no bairro do Bixiga, na região central da capital paulista, começou a carreira profissional na televisão e, posteriormente, consolidou sua trajetória também no teatro, onde chegou a ser dirigida por Antunes Filho, um dos principais nomes das artes cênicas brasileiras.
A estreia profissional de Laura Cardoso aconteceu na televisão, em 1950, na TV Tupi, quando participou da novela Tribunal do Coração. Na época, a televisão ainda dava os primeiros passos no Brasil. A atriz tinha 22 anos. Depois da estreia na TV, Laura ampliou sua atuação para o teatro, o rádio e, mais tarde, o cinema. Foi nos palcos paulistanos que ela teve contato com alguns dos principais nomes da dramaturgia brasileira.
A relação entre Laura e Antunes remonta ao fim dos anos 1950. Antunes dirigiu Platão 21, em 1959, espetáculo do Pequeno Teatro de Comédia (PTC), que teve Laura Cardoso entre os atores do elenco. A montagem aconteceu em uma fase importante da trajetória do diretor, que começava a ganhar destaque no teatro paulista. O PTC foi fundado em São Paulo no final da década de 1950 por Antunes Filho e outros artistas como Laura e não tinha uma sede fixa própria. O grupo funcionava como uma companhia itinerante de produção independente que alugava e ocupava diferentes salas de teatro da capital paulista, como o Teatro Maria Della Costa e o Teatro Cultura Artística, para montar seus espetáculos.
Antunes Filho também era ligado a São Paulo. Nascido na capital em 1929, começou a carreira como assistente de direção no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em 1952. O teatro, instalado no bairro da Bela Vista, região que inclui o Bixiga, foi um dos espaços fundamentais para a modernização da cena teatral brasileira.
Foi nesse ambiente que se formou uma geração de artistas que marcaria o teatro, a televisão e o cinema no país. Antunes trabalhou com grandes encenadores no TBC e posteriormente criou sua própria companhia, desenvolvendo um método de preparação de atores que influenciaria diversas gerações. Laura Cardoso esteve entre os artistas que tiveram contato com esse trabalho. Ao falar sobre Antunes Filho após a morte do diretor, em 2019, a atriz destacou a importância dele em sua formação. A atriz o chamou de “meu grande mestre” e destacou o conhecimento que ele transmitia aos atores.
Com informações da Agência Brasil.





