Para Ratinho Junior, a polarização só deve interessar para Brasília e não para o Paraná.
Embora possa dizer que “não tenho nada a ver com isso”, Sandro Alex, candidato do PSD ao Governo do Paraná, começa a enfrentar uma equação política que dificilmente poderá evitar durante a campanha presidencial.
Por fidelidade partidária, Sandro afirma que seu candidato à Presidência da República é Ronaldo Caiado, também do PSD. Ao mesmo tempo, reconhece que dentro de seu próprio grupo político há quem esteja com Caiado e quem prefira Flávio Bolsonaro. E admite que tudo poderá mudar num eventual segundo turno.
Foi esse o tom adotado pelo candidato em recentes sabatinas, inclusive na realizada pela Folha de S.Paulo e pelo UOL. Sandro procura manter distância de uma guerra nacional que, neste momento, pouco acrescenta à sua campanha pelo Palácio Iguaçu. Seu desafio é falar do Paraná sem ser tragado pela polarização nacional.
O problema é que as urnas podem embaralhar esse roteiro.
No Paraná, Sergio Moro (PL) permanece na liderança das pesquisas de intenção de voto. Atrás dele, Sandro Alex e Requião Filho (PDT), em posições que variam conforme o levantamento, tentam transformar a disputa pela segunda colocação numa passagem para o segundo turno.
É aí que começam as contas — e também as especulações.
Moro carrega desde os tempos da Lava Jato um forte antagonismo político com Lula e o PT. Por isso, nos bastidores, há quem considere que, num eventual segundo turno estadual entre Moro e Sandro Alex, parcelas do eleitorado de centro-esquerda e da esquerda poderiam votar no candidato do PSD não necessariamente por adesão ao seu projeto, mas como forma de impedir a eleição do ex-juiz.
Seria o conhecido voto de rejeição: não exatamente a favor de um, mas contra o outro.
A situação fica ainda mais interessante quando a eleição estadual é colocada ao lado da presidencial.
Ratinho Junior pertence ao PSD, partido que tem Ronaldo Caiado na corrida pelo Planalto, mas mantém conhecida proximidade política com Jair Bolsonaro e seu grupo. Sandro Alex, por sua vez, já deixou aberta a possibilidade de apoiar Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno presidencial.
E se as duas eleições produzirem uma combinação explosiva?
Imagine Flávio Bolsonaro disputando o segundo turno para presidente e Sergio Moro, candidato do PL, chegando também ao segundo turno para o Governo do Paraná. Ao mesmo tempo, Sandro Alex poderia estar justamente do outro lado da disputa estadual.
É nesse momento que a política deixa de ser discurso e passa a exigir escolhas.
Onde estará Ratinho Junior?
No palanque presidencial de Flávio Bolsonaro, correndo o risco de dividir a fotografia — e os votos — com Sergio Moro, adversário de seu candidato ao Governo do Paraná?
Ou no palanque de Sandro Alex, tentando preservar seu projeto político estadual, ainda que isso produza um constrangimento na composição nacional?
A campanha ainda tem muito chão pela frente e qualquer resposta agora seria precipitada. Mas a pergunta já está posta.
Porque primeiro turno aceita ambiguidades, acenos e palanques separados.
Segundo turno exige lado.





