O tom de confronto e o desgaste do debate público nas eleições no Paraná

Eleições no Paraná. Protagonistas atravessam o Rubicão e o Vale do Jordão em ataques verbais e judiciais

A dez dias das eleições, a corrida eleitoral no Paraná caminha por um terreno nada fértil. Pelo contrário: espinhoso e perigoso, revelando um face cada vez mais áspera do debate político, com poucas propostas e muitas agressões entre os candidatos ao Governo do Estado e ao Senado Federal.

A temperatura sobe quando se trata da disputa ao Senado, onde figuras como Gleisi Hoffmann e Deltan Dallagnol partem para ataques pessoais que envolvem a disputa presidencial, entre Lula e Flávio Bolsonaro, e inundam os tribunais de justiça de ações.

Foto/Infomoney

Alexandre Curi o único fora do ringue

Por enquanto, o único candidato à cobiçada cadeira, que vem mantendo um tom propositivo, apresentando não apenas propostas ao Estado, mas um jeito diferente de política no Congresso Nacional é o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (Republicanos). Ele será, com certeza, dono absoluto do segundo voto, comentam os especialistas.

Na corrida ao governo, os embates entre nomes como Sergio Moro, Sandro Alex e Requião Filho evidenciam a pressão de uma campanha encurtada e altamente competitiva. Agora, vemos a equipe comandada pelo governador Ratinho Junior, que carrega o candidato Sandro Alex, atacando o PT de Lula e Requião Filho, sem tem noção de que este pode, em um eventual segundo turno, decidir a eleição contra o senador Sergio Moro que lidera as pesquisas.

Engajamento tóxico

Mas é numerosa disputa pelo Senado — que renova duas vagas pelo estado e atrai dezenas de candidaturas expressivas — que o tom atinge notas mais agudas.   Nos estúdios de rádio, televisão e, principalmente, nas redes sociais, assiste-se a uma escalada preocupante. O argumento técnico é frequentemente substituído pelo “corte” de 30 segundos feito sob medida para o engajamento tóxico. Rótulos, acusações cruzadas e ataques à honra de oponentes tornaram-se moeda corrente.

Em vez de debater soluções para a infraestrutura, a segurança pública ou os gargalos fiscais do estado, parte dos candidatos parece apostar na cartilha da polarização cega, onde o adversário não é alguém com projeto distinto, mas um inimigo a ser deslegitimado moralmente.  

Afastamento do eleitor moderado

Essa dinâmica, no entanto, gera um duplo efeito colateral. Por um lado, alimenta a base mais radicalizada de cada espectro político, criando bolhas de apoio blindadas à crítica racional. Por outro, afasta o eleitor moderado e indeciso, que passa a enxergar a política institucional com ceticismo e apatia.

O Paraná, historicamente conhecido por sua tradição de debates aguerridos, mas intelectualmente densos, merece mais do que o esvaziamento do contraditório. A pouco tempo das urnas, resta saber se os eleitores tolerarão o ruído das ofensas ou se cobrarão de seus representantes a sobriedade que cargos dessa magnitude exigem.

Afinal, as palavras ditas na fúria da campanha passam, mas as consequências institucionais persistem por anos.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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