Requião, Richa, Ducci, Gleisi, Stephanes, Nishimori, Veneri… as urnas foram cruéis para veteranos

Enfraquecimento de partidos impactou no coeficiente eleitoral e acabou influenciando na seleção dos eleitos. Dois ex-governadores ficaram fora.

Governador paranaense por três vezes, como parte de extensa carreira política que inclui dois mandatos de senador, outro de deputado estadual e ainda condução da Prefeitura de Curitiba, Roberto Requião (PDT) viu-se frustrado com o resultado da eleição do último domingo (4), quando concorria a uma das 30 vagas da Câmara Federal. Os votos até apareceram. Foram quase 80 mil votos – 79.921 para ser mais exato -, figurando entre os 21 da preferência dos eleitores. Coeficiente eleitoral e cláusula de desempenho, pelo baixo desempenho de seu partido, foram determinantes para que Requião tivesse frustrado seu sonho de voltar à linha de frente da política aos 85 anos. Após o anúncio dos resultados, porém, Requião publicou em suas redes sociais que ficou fora do Congresso, “mas não da política”.

A situação de Roberto Requião de Mello e Silva não é única e alcança outros políticos experientes que estiveram no páreo destas eleições e se viram atingidos pelo tsunami dos mais jovens, dos exploradores das redes sociais e do bolsonarismo. Carlos Alberto Richa, o Beto Richa, foi outro exemplo. Deputado estadual, vice e prefeito de Curitiba e governador do Paraná por dois mandatos, ele obteve nada menos do que 58.946 votos. Foi mais o votado do PSDB, mas o partido não ajudou e ele perdeu a vaga, que chegou a ocupar na atual legislatura. Paulo Martins, o atual vice-prefeito de Curitiba, acabou entrando na última vaga dos 30 federais, com 44.029 votos, só que pelo Novo, que “explodiu” com Chiquini e Kilter, puxando o cálculo.

Muitas exclusões nas urnas

O ex-prefeito de Curitiba e atual deputado federal Luciano Ducci (PSB) experimentou do mesmo fenômeno. Teve 60.932 votos e também ficou fora, interrompendo a sua sequência de mandatos como deputado federal. Luciano, que tem 71 anos e é médico de formação, foi secretário municipal e estadual da Saúde, vice-prefeito e prefeito e ainda deputado estadual. A exemplo de Richa, foi o mais votado de seu partido, que teve desempenho muito fraco no pleito.

Luisa Canziani (União), com 80.485 votos; Luiz Nishimori (PSD), com 63.347 votos; Dilceu Sperafico (PP), com 59.451; Tadeu Veneri (PT), com 57.105; Santin Roveda (União), com 52.776; Diego Garcia (União), com 46.072; Gilson de Souza (PL), com 45.113; e Welter (PT), com 44.863. Estes são os deputados federais que se viram fora da Câmara Federal, salvo ajustes em ocupação de cargos em governos que possam retirar eleitos da função. Ficaram pelo caminho, também, outros candidatos que estiveram na Câmara, como Reinhold Stephanes, Hermes Frangão Parcianello, André Vargas e Rosane Ferreira, ou ainda deputados estaduais que buscaram vaga em Brasília, como Luciana Rafagnin, Delegado Tito Xerifão, Cristina Silvestre, Marcelo Rangel e Marcio Pacheco.

Foram 24 os deputados que tentaram reeleição. Mas somente a metade conseguiu entrar. Outros outros parlamentares concorreram a outros cargos, mas apenas um conseguiu se eleger. Gleisi Hoffmann, que concorreu como candidata ao Senado, acabou derrotada e se juntou aos políticos com longo trânsito em Brasília.

Na nova composição do Congresso, o PL passa de quatro para cinco cadeiras; o PT continua com cinco e o Podemos continua com duas, enquanto o PV continua com uma. O Republicanos tinha uma e passou para duas. O PSDB tinha uma e ficou sem nada, enquanto o União foi o que mais perdeu, passando de seis para duas. O Novo não tinha nenhuma e agora tem quatro, mesmo número do PSD, que perdeu uma. PP manteve suas quatro. MDB continua com uma.

Os reeleitos foram:

Sargento Fahur (PL): 242.643 votos

Delegado Matheus Laiola (União): 113.690 votos

Pedro Lupion (Republicanos): 109.874 votos

Felipe Francischini (PODE): 106.907 votos

Vermelho (PL): 72.166 votos

Beto Preto (PSD): 177.032 votos

Sergio Souza (MDB): 69.791 votos

Leandre (PSD): 90.185 votos

Aliel Machado (PV): 118.691 votos

Zeca Dirceu (PT): 160.650 votos

Carol Dartora (PT): 101.823 votos

Paulo Litro (União): 88.601 votos

Ricardo Barros (PP): 94.050 votos

Toninho Wandscheer (PP): 88.157 votos

Tião Medeiros (PP): 85.951 votos

Os novos componentes da Câmara Federal pelo Paraná:

Jeffrey Chiquini (Novo): 425.399 votos

Guilherme Kilter (Novo): 269.832 votos

Ana Júlia (PT): 184.691 votos

Rosangela Moro (PL): 146.417 votos

Renato Freitas (PT): 115.227 votos

Paranhos (PSD): 99.070 votos

Da Costa do Perdeu Piá (PODE): 86.070 votos

Marcelo Belinati (PP): 83.906 votos

Arilson Chiorato (PT): 77.671 votos

Henrique Mecabô (Novo): 65.706 votos

Luizão Goulart (PSD): 63.480 votos

Newton Bonin (Republicanos): 54.935 votos

Delegado Francischini (PL): 53.207 votos

Ricardo Arruda (PL): 51.663 votos

Paulo Martins (Novo): 44.029 votos

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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