Indústria moveleira do Paraná traça caminhos para crescer e ser mais competitiva até 2035

Durante o Congresso Nacional Moveleiro 2026, encerrado nesta quinta (5), ocorreu o lançamento do documento “Rota Estratégica da Indústria Moveleira Paranaense 2035”.

O lançamento de um plano estratégico para o desenvolvimento da indústria moveleira paranaense até 2035, debates sobre vendas digitais, eficiência produtiva e comércio internacional, além de reflexões sobre diferenciação e valor agregado, marcaram o segundo e último dia do Congresso Nacional Moveleiro 2026, nesta quinta-feira (5), no Campus da Indústria do Sistema Fiep, em Curitiba. Promovido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), o evento reuniu empresários, especialistas e lideranças para discutir caminhos para a competitividade do setor.

A programação começou com o lançamento da Rota Estratégica da Indústria Moveleira Paranaense 2035, desenvolvida pelo Conselho Setorial da Indústria Moveleira da Fiep, em parceria com o Observatório Sistema Fiep. Construído com a participação de 122 especialistas e representantes de 73 instituições, o documento estabelece 131 ações voltadas à inovação, à produtividade, à sustentabilidade e ao acesso a mercados. Organizadas em horizontes de curto, médio e longo prazo, as propostas buscam orientar o planejamento de empresas, sindicatos e instituições da cadeia produtiva, com foco em iniciativas que possam contribuir para o desenvolvimento do setor nos próximos anos.

Vendas digitais, eficiência e comércio internacional

Após o lançamento da Rota, as estratégias de vendas digitais abriram a programação da tarde do segundo dia do Congresso Nacional Moveleiro 2026. O painel “Vendas digitais na indústria moveleira: estratégia, eficiência e crescimento” reuniu Dionei Alves, fundador e CEO da Agência Virtue; Odair da Rosa, sócio e diretor da Magazord; e Vivianne Vilela, sócia do E-Commerce Brasil. A atividade colocou em pauta o papel dos canais digitais na expansão dos negócios e na competitividade das empresas do setor.

Alves destacou três pilares que considera fundamentais para empresas que decidem atuar com vendas por e-commerce: estratégia digital; a busca por tecnologias adequadas para o modelo de negócio; e a operação em si, com questões como logística e experiência de compra. Já Rosa relatou que, em 2026, 40% do volume de vendas dos clientes da Magazord são de produtos ligados ao segmento de móveis e decoração. A empresa oferece uma série de soluções para quem quer vender seus produtos no mercado digital. Ambos comentaram também sobre os impactos da inteligência artificial no cenário das vendas digitais. Questões como a velocidade na análise de dados sobre os hábitos do consumidor podem contribuir para uma hiperpersonalização dos ambientes de venda, adequando os sites de e-commerce às preferências de cada comprador que os acessam.

Na sequência, Celso Yukio Eizak, consultor em excelência operacional da TPS Raiz do Gemba Institute, apresentou a palestra “Fazer mais com menos: a jornada da eficiência na indústria moveleira”. Com base nos princípios do Sistema Toyota de Produção, o especialista abordou a redução de desperdícios como caminho para liberar capacidade produtiva e melhorar os resultados. Entre os exemplos estiveram o excesso de estoques, o tempo de espera entre etapas, as movimentações desnecessárias e o retrabalho. A apresentação destacou a importância de avaliar o fluxo completo de produção, do recebimento dos materiais à expedição, para identificar obstáculos que afetam os prazos e os custos. Eizak também tratou da padronização das atividades, da capacitação das equipes e da participação dos operadores nas melhorias. Como proposta prática, apresentou um plano de 30 dias com ações, responsáveis, prazos e indicadores para iniciar mudanças nas empresas.

Já o cenário internacional foi tema da palestra “Transformações no comércio global: impactos e oportunidades para a indústria”, de José Pimenta, sócio e diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional da BMJ Consultoria. Ele abordou as mudanças nas relações comerciais nos últimos anos, causadas por questões como uma crise no multilateralismo, crescente protecionismo e conflitos internacionais, o que tem gerado uma reorganização das cadeias globais de valor e uma regionalização do comércio. “Se antes a gente tinha numa lógica primordialmente de eficiência econômica, com o elemento custo tendo papel fundamental, agora a lógica é mais de segurança nacional, buscando-se parceiros confiáveis”, resumiu. Segundo Pimenta, essa realidade do comércio global atual traz um novo padrão para acesso aos mercados, surgindo maiores demandas por questões como rastreabilidade da cadeia produtiva, transparência e disponibilidade de dados e obtenção de certificações socioambientais e de intensidade de carbono.

A agenda também contou com o painel “Futuro do varejo moveleiro: novos modelos de negócio e oportunidades no Mercado Livre”. O primeiro palestrante do painel foi Emerson Faccioli, especialista na plataforma e CEO da ECF Consultoria. Ele destacou as oportunidades para móveis e artigos de decoração nos marketplaces e o uso de dados para orientar as decisões comerciais. O conteúdo relacionou o desempenho das vendas à análise de indicadores de publicidade, conversão, estoques e rentabilidade. A abordagem destacou a necessidade de considerar custos como frete, comissões, impostos e anúncios para que a expansão do faturamento tenha correspondência nas margens do negócio.

O painel também teve a participação de Rafael Coelho Casagrande, fundador da GC Part e estrategista de comércio eletrônico. Ele apresentou os cases da Loja C, criada em 2003 para venda de móveis on-line e que agora começa a se integrar a grandes marketplaces, por meio de uma ferramenta desenvolvida pela empresa chamada Pisga. A solução possibilita que a vitrine dos fabricantes moveleiros esteja dentro das grandes plataformas de e-commerce. Dessa forma, a venda é feita pela indústria, mas o pagamento e a entrega ficam com a plataforma parceira.


Diferenciação e valor agregado

A necessidade de desenvolver novas competências para conquistar mercados foi o tema da palestra de Carlos Ferreirinha, especialista em gestão do luxo, que abordou estratégias de diferenciação aplicáveis à indústria moveleira. Segundo ele, em um cenário de maior concorrência e mudanças nas relações comerciais internacionais, oferecer produtos de qualidade e preços competitivos já não é suficiente para garantir a preferência dos consumidores. As empresas precisam investir também na construção de marcas, na experiência de compra e na percepção de valor de seus produtos.

“Existe um caminho singular que ninguém consegue tirar, que é o caminho da diferenciação, do valor agregado”, afirmou Ferreirinha. Para o especialista, a indústria brasileira avançou em qualidade, produtividade e design, mas precisa transformar essas competências em vantagens comerciais reconhecidas pelos clientes. Ele citou a valorização internacional do design brasileiro, especialmente em segmentos como mobiliário, arquitetura e joalheria, como exemplo das oportunidades que podem surgir a partir de características próprias da produção nacional.

Na apresentação, Ferreirinha também destacou a importância de aprimorar o relacionamento com distribuidores, lojistas, arquitetos e consumidores, investir na capacitação das equipes e identificar as necessidades de diferentes públicos. A proposta é que as empresas busquem inspiração nas práticas de gestão do luxo para construir uma identidade própria, ampliar a percepção de valor e conquistar a preferência dos compradores, sem necessariamente atuar no segmento de produtos de alto padrão.

Reconhecimento ao design brasileiro

O encerramento do congresso também abriu espaço para a valorização dos profissionais e empresas do setor, com a segunda edição do Prêmio Design da Movelaria Nacional. Realizada pela Abimóvel, com correalização da ApexBrasil e do Sebrae Nacional, a iniciativa reconhece projetos de designers, indústrias, marcenarias, arquitetos, estudantes e novos talentos que se destacam pela criatividade, originalidade, sustentabilidade e inovação. Os projetos finalistas integraram uma mostra especial no congresso, enquanto as peças vencedoras serão apresentadas no Salone del Mobile.Milano 2027, na Itália, um dos principais eventos mundiais do setor moveleiro.

Fonte: FIEP

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações